"Sua maior
intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em
tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os
passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". (Vida
de S. Francisco - 1Cel 84)
São Francisco e o Jesus da Eucaristia
"Homenzinho simples e iletrado", como ele mesmo se chamava, São Francisco deixou escritos que nos impressionam e Deus fala em tudo que existe. Fala até nas plantas, nos animais, em nós mesmos e no que acontece em nossa vida. Mas para Francisco era evidente que, quanto mais a Palavra chegava perto do Jesus Pessoa revelado no Evangelho, mais era Palavra. Por is...so, tinha uma veneração especial pela palavra revelada na Bíblia.
Entretanto, Francisco ainda venerava mais as Palavras usadas na liturgia e de maneira muito especial as que fazem os sacramentos. A essas chamava de "santíssimas palavras" do Senhor Jesus Cristo.
Na Eucaristia: devolvemos os dons
Se Jesus Cristo é a manifestação de Deus Trindade feito pobre, que vem ao nosso encontro, é em Jesus Cristo que damos a resposta de amor ao Deus Trindade. E só conseguimos responder ao Pai, em Jesus Cristo, porque mora em nosso coração o Espírito Santo, que é o Amor de Deus. De fato, a Eucaristia quer dizer "ação de graças". Mas em São Francisco essa ação de graças é muito original:
Em primeiro lugar, ela é "obediência", no sentido mais fundamental de "prestar ouvidos" (obaudire). Deus fala uma Palavra de Amor, a gente ouve e responde com outra palavra de Amor. Deus se dá inteiro, nós devemos dar tudo que pudermos de nós mesmos. Para Francisco, Jesus foi o maior exemplo de obediência ao Pai. E, com ele, nós obedecemos respondendo ao Amor.
Em segundo lugar, para Francisco obediência é devolução. Como só Deus é bom, Ele é todo o Bem, todo bem vem dele, nosso amor só pode ser uma devolução do Bem que dele recebemos. O fundamento de sua pobreza é sempre devolver a Deus tudo que não estamos precisando. Só que, na Eucaristia, a gente "devolve" até o que está usando.
" Com Francisco o Espírito do Senhor suscitou também Clara. Por isso, como diss...e João Paulo II, não é possível separar estes "dois fenômenos, estas "duas legendas", estes "dois nomes".
Francisco é para Clara e suas irmãs o precursor que indica o caminho, "fundador, plantador e auxílio... coluna única e consolação depois de Deus.
Por sua vez, Clara é para Francisco conselheira e luz para discernir a vontade do Senhor nos momentos de dúvida..E também significativo que, nas horas de desânimo e treva, Francisco retorne a São Damião para procurar, junto a Clara o consolo de que necessita.
De Francisco, Clara recebe Deus, recebe o afeto e o impulso para lançar-se a viver até o fundo o Evangelho com uma decisão irrevogável.
De Clara, Francisco recebe a iluminação do Senhor. Clara é o reflexo de Francisco, no qual se vê como num espelho.
O rosto de Francisco, por sua vez, é iluminado pela pureza e pela pobreza de Clara.
Clara amava ternamente Francisco, a ponto de tornar-se para ele um imagem de Maria, por sua radicalidade, por sua confiança incondicionada em Deus, por sua fragilidade cheia de força, por sua lealdade e por sua fidelidade.
Em Clara arde um único desejo: viver o Evangelho segundo o exemplo de Francisco. Graças a ele, alimenta-se na mesma sabedoria e respira o mesmo frescor evangélico do Poverello.
Tendo descoberto em Francisco um verdadeiro amante e imitador do Filho de Deus, Clara o amou, confiou-se e uniu-se a ele para viver a mesma experiência evangélica.
Por isso a Regra é a mesma: " Observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo" como igual é a missão: restaurar a igreja.
Desse modo, Clara e Francisco realizaram uma das sínteses mais geniais da história da Igreja: a síntese entre o silêncio que escuta e a palavra que anuncia, entre a solidão que adora na clausura e a presença que anuncia na itinerância. Desde que “o Altíssimo Pai celestial" iluminou o coração de Clara e Francisco mostrou o caminho a ela e às suas irmãs, e desde que a "pobre dama" lhe prometeu obediência, a única inspiração franciscana articula-se em duas dimensões complementares: a contemplativa, de abertura à palavra, e a ativa, de testemunho da Palavra. Sãos as duas dimensões do amor, que é, a mesmo tempo, contemplativo e ativo."
Frades e Irmãs necessitam-se reciprocamente.
Mutilariam o Carisma se caminhassem separadamente se desejassem percorrer estradas paralelas.
Caminhando unidos, respeitando as diferenças testemunham a fidelidade a Francisco e Clara; a eficácia evangélica da própria Missão na Igreja e no mundo; a credibilidade diante daqueles que, hoje como ontem, estão convencidos de que Francisco e Clara são duas almas gêmeas inseparáveis."
Quais são as motivações básicas de um jovem para ingressar na vida religiosa?
Experiência fundante é a que nasce de uma profunda vivência espiritual, mística, de Deus, de seu amor.
Experiência em que Deus enche até o fundo nossa afetividade: Deus é tudo.
É uma experiência de paz e alegria. Uma experiência que está na origem dos carismas dos fundadores, ao menos ao nível pessoal deles. As tarefas, as missões, as ocupações, a entrega aos outros, tudo flui desta experiência-base.
É a experiência de quem diz como Santa Teresa: "Solo Dios basta!" É a experiência daquela menina que, depois de deixar os encantamentos da vida que sua condição financeira permitia, se aproxima da mestra e diz: "Fala-me de Deus!".
Não há missão que possa substituir essa experiência fundante na vida religiosa. Parece que esse tipo de vocacionados procedem mais do mundo urbano, freqüentemente ligados aos movimentos de espiritualidade, de ambientes religiosos não tradicionais. Tendo feito essa experiência fundante, o jovem procura alguma congregação em que possa viver isso sempre mais profundamente. Tem uma tendência acentuada de valorizar o litúrgico, o celebrativo. Em palavras simples: são devotos, rezadores e querem viver "longe" das coisas do mundo. Em geral, ao ingressarem, têm uma imagem muito idealizada da vida religiosa. Pensam no "convento" como o lugar das pessoas "santas e felizes", "anjos" vivendo na terra. Depois de algum tempo, entram em choque com a realidade. Aqueles religiosos não são santos de nenhuma forma. São "fingidos, falsos, não vivem a caridade, são acomodados...". A imagem idealizada transforma-se em profunda decepção: não são santos, mas uns "demônios". Nesse período, muitos desistem e se afastam amargurados, freqüentemente espalhando uma imagem muito negativa da vida religiosa.
Os que conseguem superar, no entanto, aos poucos vão se dando conta que os religiosos não são nem "anjos", nem "demônios", mas pessoas humanas com sua ambigüidades, buscando, entretanto, cada um a seu jeito, um caminho para Deus.
Nesse período, o papel do formador pode ser decisivo. É importante muito diálogo com o formando, por dois motivos básicos:
Primeiro, para ajudá-lo a pôr os pés no chão.
Sua experiência de Deus é algo muito bonito e precisa ser cultivada com toda a atenção. No entanto, esse cultivo não pode se limitar ao litúrgico, celebrativo, íntimo. Essa experiência, para adquirir marca de autenticidade, necessita expressar-se no serviço aos irmãos, na comunidade, e ao Povo de Deus, principalmente com os pobres, marginalizados, doentes... Não basta o contato com aquela comunidade carismática de onde ele procede. Sem essa passagem para o concreto, como fizeram os santos, visível principalmente entre os fundadores, a primeira experiência de Deus vai se esvaziar e morrer. O formador deve estar atento, até para não se deixar "encantar" pela postura devota do formando. Algumas vezes, inclusive, essa atitude pode esconder situações de personalidade que necessitam de urgente discernimento e cura.
Outras vezes, em certos ambientes, tem-se criado confusão entre o processo de conversão e o vocacional. Um jovem faz uma experiência calorosa de conversão e pede para ser religioso. Depois de algum tempo constata que não é essa a sua vocação. Confundiu a alegria da conversão com o chamado vocacional. Faltou alguém que o ajudasse a discernir. Isso pode ser muito prejudicial para ele e para toda a comunidade.
Em segundo lugar, o formador precisa ajudar o formando a fazer uma virada urgente: da "comunidade para mim" ao "eu para a comunidade", isto é, de uma postura autocêntrica para uma postura heterocêntrica, voltada para fora (evito intencionalmente as palavras "egoísmo" e "altruísmo", porque o problema não é fundamentalmente ético, e sim formativo, de orientação, compreensão e vivência). É doloroso, isto sim, encontram-se religiosos que, depois de anos de vida consagrada, vivem egocentricamente. Aqui se trata de uma questão ética, de egoísmo mesmo.
DAL MORO, Frei Sérgio M. (OFMCap). Com o coração e inteligência - Formação para a Vida Consagrada. 2006. pg. 55-57.
Aos meus irmãos, aos nossos irmãos, sejamos um pouquinho como São Francisco de Assis.
Refletimos hoje sobre a vida desse Santo que nos ensinou como ninguém a amar Jesus Cristo, Deus Pai e todas as criaturas como um ser único: A VIDA
Dia 04 de outubro comemoramos o dia de São Francisco de Assis, o patrono da ecologia. O homem que mais se aproximou de Jesus Cristo, viveu cada linha dos evangelhos, amou e se declarou irmão de cada ser vivo que Deus colocou na face da Mãe Terra. Igualmente Amou os elementos da natureza porque são criações de Deus, um presente para que a vida fosse possivel.
Cada animal, cada planta, ele considerava como irmãos.
Hoje o planeta está ameaçado, a ecologia nos alerta que somos todos elos da mesma VIDA:vegetal e animal. Se cada uma dessas vidas desaparecerem já estaremos também ameaçados a desaparecer.
São Francisco como Cristo nos mostrou o caminho... Viver simplesmente...
Como São Francisco curou milagrosamente o leproso da alma e do corpo, e o que a alma lhe disse quando ia para o céu.
S. Francisco e um leproso. Giovanni Crespi, 1630 Pinacoteca de Brera, Milão
O verdadeiro discípulo de Cristo, monsior São Francisco, vivendo nesta miserável vida, com todo o seu esforço se empenhava em seguir a Cristo, o mestre perfeito. Por isso acontecia muitas vezes que, por divina operação, Deus curava a alma daquele a quem ele curava o corpo, na mesma hora, como se lê de Cristo. E como ele não só servia de boa vontade aos leprosos, mas, além disso, tinha ordenado que os frades de sua Ordem, andando ou estando pelo mundo, servissem aos leprosos pelo amor de Cristo, que por nós quis ser tido como um leproso, aconteceu uma ocasião, em um lugar próximo de onde então morava São Francisco, que os frades serviam em um hospital aos leprosos doentes.
Havia lá um leproso tão impaciente, insuportável e mau, que todo mundo tinha como certo, e era mesmo, que ele estava tomado pelo demônio, pois tratava quem o servia como um vilão, por palavras e pancadas, e, o que era pior, blasfemava ultrajando Cristo bendito e sua santíssima mãe Virgem Maria, desse modo que não se encontrava quem quisesse ou pudesse servi-lo.
E ainda que os frades procurassem suportar pacientemente as injúrias e vilanias para aumentar o mérito na paciência, como sua consciência não podia suportar o que era contra Cristo e sua Mãe, decidiram abandonar esse leproso, Mas não quiseram faze-lo antes de contar em ordem a São Francisco que morava, então, em um lugar ali perto.
Quando o fizeram, São Francisco foi visitar o leproso perverso e, chegando a ele, saudou dizendo: “Deus te dê a paz, irmão meu caríssimo”.
O leproso respondeu: “Que paz posso receber de Deus, que me tirou a paz e todo bem, e me fez todo podre e fedido?”.
E São Francisco disse:
“Filho, tem paciência, pois as enfermidade do corpo nos são dadas por Deus neste mundo para a salvação da alma, pois são de grande mérito quando são suportadas pacientemente”.
O doente respondeu:
“E como posso suportar pacientemente a pena contínua que me aflige dia e noite? E não estou aflito só com minha enfermidade, mas pior me fazem os frades que tu me deste para me servirem e não me servem como devem”.
Então São Francisco, conhecendo por revelação que esse leproso era possuído pelo espírito maligno, foi e se pôs em oração, pedindo devotamente a Deus por ele.
Feita a oração, voltou a ele e disse assim: “Filho, quero te servir eu mesmo, uma vez que não te contentas com os outros”. “Está bem, disse o enfermo, mas o que tu me poderás fazer mais do que os outros?”. São Francisco respondeu: “O que tu quiseres, eu farei”. Disse o leproso: “Eu quero que tu me laves inteiro, pois estou fedendo tão forte que nem eu mesmo agüento”.
Então São Francisco mandou esquentar na mesma hora água com muitas ervas aromáticas, depois o despiu e começou a lavá-lo com suas mãos, e um outro frade derramava a água em cima. E por milagre divino, onde São Francisco tocava com suas santas mãos, a lepra ia embora e a carne ficava perfeitamente curada. E quando a carne começou a ser curada, também a alma foi sendo curada.
Por isso, vendo o leproso que estava começando a ficar curado, começou a ter uma grande compunção e arrependimento de seus pecados, a começou a chorar muito amargamente; de modo que, enquanto o corpo ficava limpo da lepra pelo lado de fora por ser lavado pela água, a alma ia sendo limpa do pecado por dentro pela contrição e pelas lágrimas.
Quando ficou completamente curado quanto ao corpo e quanto à alma, reconheceu sua culpa e disse chorando em alta voz: “Ai de mim, eu sou digno do inferno pelas vilanias e injúrias que fiz e disse aos frades, e pela impaciência e blasfêmias que tive contra Deus”.
Daí, continuou por quinze dias a chorar por seus pecados e a pedir misericórdia a Deus, confessando-se inteiramente ao padre. E São Francisco, vendo assim expresso o milagre, que Deus tinha operado por meio de suas mãos, agradeceu a Deus e foi embora dali para terras muito distantes. Pois queria fugir, por humildade, a toda glória, e em tudo que fazia buscava só a honra e glória de Deus, e não a própria.
Depois, como aprouve a Deus, o dito leproso curado no corpo e na alma, após seus quinze dias de penitência, ficou doente de outra enfermidade; e armado com os sacramentos da Igreja, morreu muito santamente. E sua alma, indo para o paraíso, apareceu no ar para São Francisco, que estava em oração em um bosque e lhe disse: “Tu me reconheces?”. “Quem és tu?”, disse São Francisco.
“Eu sou o leproso que Cristo bendito curou pelos teus méritos, e agora vou indo para a vida eterna. Por isso, agradeço a Deus e a ti. Benditos sejam a tua alma e o teu corpo, e benditas sejam as tuas santas palavras e operações, pois por ti muitas almas vão se salvar no mundo.E sabe que não há dia no mundo em que os santos Anjos e outros santos não agradeçam a Deus pelos santos frutos que tu e tua Ordem fazeis em diversas partes do mundo. Por isso, conforta-te e agradece a Deus, e fica com a sua bênção”.
E, ditas essas palavras, foi para o céu. E São Francisco ficou muito consolado.
Para o louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.
Fonte: I Fioretti de São Francisco de Assis Capítulo XXV.
1. A todos os podestás e cônsules, juizes e governadores em toda a terra e a todos os outros aos quais chegar esta carta, Frei Francisco, vosso servo pequenino e desprezível no Senhor Deus, desejando a todos vós saúde e paz.
2. Considerai e vede que o dia da morte se aproxima (cfr. Gn 47,29).
3. Por isso eu vos rogo com reverência, como posso, que, por causa dos cuidados e solicitudes deste século (cfr. Mt 13,22), que tendes, não entregueis o Senhor ao esquecimento nem vos desvieis de seus mandamentos, porque todos aqueles, que o entregam ao esquecimento e se desviam de seus mandamentos são malditos (cfr. Sl 118,21) e serão por ele lançados no esquecimento (Ez 33,13).
4. E, quando chegar o dia da morte, tudo que julgavam ter lhes será tirado (cfr. Lc 8,18).
5. E, quanto mais sábios e poderosos tiverem sido neste século, tanto maiores tormentos suportarão no inferno (cfr. Sb 6,7).
6. Por isso firmemente vos aconselho, senhores meus, que, pondo de lado todo cuidado e preocupação, benignamente recebais tanto o santíssimo corpo como o santíssimo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo em sua santa comemoração.
7. E que consagreis tanta honra ao Senhor no povo a vós confiado, que cada tarde se anuncie por um pregoeiro ou por outro sinal, pelo qual sejam dados louvores e graças ao Senhor Deus onipotente por todo o povo.
8. E, se isso não fizerdes, sabei que devereis dar contas diante do vosso Senhor Deus Jesus Cristo no dia do juízo (cfr. Mt 12,36).
9. Os que guardarem consigo este escrito e o observarem, saibam que são abençoados pelo Senhor Deus.
Os franciscanos gostam sempre de evocar o começo de tudo na história de Francisco. Francisco, nos inícios de sua aventura espiritual,deixou as coisas do mundo depois de encontrar-se com o farrapo humano chamado leproso.
1. Ele, esse Francisco, originário da cidade de Assis, esse italiano da verdejante região da Úmbria, experimentara em seu peito um desejo de plenitude. Não tinha sido feito para as coisas medíocres. Não havia nascido para a mesmice e a mediocridade, para a banalidade e a rotina. Num determinado momento do processo de transformação que o jovem Francisco experimentava em seu coração seus amigos de folguedo estranharam uma certa sisudez. A Legenda dos Três Companheiros apresenta alguns pormenores a respeito da mudança de vida de Francisco. O texto afirma que seus amigos saíram de casa, iam à frente cantando pelas ruas da cidade. Estranharam que Francisco, que era um líder do grupo, fosse simplesmente atrás segurando um bastão: “Não ia cantando, mas meditando com atenção. E, de repente, o Senhor o visitou e seu coração ficou repleto de tanta doçura que não podia nem falar, nem se mexer, e era incapaz de sentir ou de ouvir outra coisa, a não ser aquela doçura que tal modo o alienava do sentido carnal, que,ele mesmo disse depois, mesmo se naquele momento fosse cortado em pedaços, não poderia mover-se daquele lugar (n.7). Os companheiros olharam para trás e o viram transformado.
Perguntaram-lhe: “Em que estás pensando? Por que não nos segues? Por acaso pensar em casar-te?” E Francisco respondeu-lhes: “Dissestes a verdade, eu estava pensando em escolher uma esposa, a mais nobre, a mais rica, a mais bela que jamais vistes”. Os seus amigos não fizeram conta do que falava. “Francisco disse isso não por si mesmo, mas inspirado por Deus; pois essa esposa era a verdadeira religião que abraçou, mais nobre, mais rica e mais bela que as outras por causa da pobreza” (n.8).
2. Assim, as coisas iam mudando no fundo do coração desse jovem da Úmbria que, mais tarde, viria a se tornar cópia viva de Cristo, o Cristo redivivo. Foi sendo atraído pela figura do Mestre, que seduzia por seu despojamento, que encantava pela singeleza pobre de seu nascimento e de sua morte, figura gloriosa e doloridamente chagada. Cristo Jesus, o Filho do Altíssimo e o Filho da Virgem pobrezinha, da paupercula iria aos poucos se manifestando a Francisco e ocupar todo o espaço de seu interior..
3. Como, de fato, tudo começou? Francisco responderá a esta pergunta mais tarde, nas primeiras linhas de seu Testamento. Foi assim: “Como estivesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos. E o Senhor mesmo me conduziu entre eles. Enquanto me retirava deles o que antes me parecia amargo, se me converteu em doçura da alma e do corpo. E depois disto demorei só bem pouco tempo e abandonei o mundo” (Testamento 1-3).
4. Dentro do coração do jovem Francisco uma dupla experiência: experiência de um vazio interior experiência da indigência e da pobreza manifestada na carne e no semblante do leproso. Francisco fala em deixar o mundo da vaidade, da posse, da busca do poder, do fascínio pelos bens e pelo dinheiro, da vontade de aparecer e dominar. Francisco experimenta uma doçura diferente quando Cristo aparece em sua intimidade e brada e berra na vida e na história do leproso. Depois dessa experiência começava para Francisco uma nova vida que ele chamaria de vida de penitência, caminho de júbilo e de felicidade. Mais tarde, bem mais tarde, quando a irmã já não estava tão distante, haveria ainda de exprimir a saudade daqueles tempos: “Queria voltar a servir os leprosos e a ser desprezado como nos primeiros tempos. Queria fugir do convívio das pessoas e ir para lugares mais afastados, para se livrar de todos os cuidados e preocupações com outras coisas” (1Celano 103).
5.Tudo começou com o encontro e a acolhida do leproso, do que é doído, pequeno, insignificante e desprezado. Esse leproso que antes causava repugnância a Francisco passou a ser o símbolo do começo de uma vida esplendorosa e luminosa. O doce se transformou em amargo e o amargo, em doce. Em nossos dias, em nossa sociedade de consumo, de aparências, de vazio há homens e mulheres, rapazes e moças fazendo a experiência de viver e conviver com os mais excluídos da face da terra. Há esse rapaz, esse estagiário de medicina que acompanha os idosos de um miserável asilo de trapos humanos envelhecidos e abandonados. Há essa moça que visita presídios femininos e dá cursos para as encarceradas. Há pessoas fazendo hoje a experiência do amargor que se torna doçura.
QUEIMADAS :UMA TENDÊNCIA PRIMITIVA E BÁRBARA. (Rivaldo Roberto Ribeiro)
O fogo vem rápido e feroz, os pássaros tentam fugir batendo suas asas pesadamente, mas o fogo devorava o oxigênio... o ar... formam redemoinhos, e eles não conseguem são sugados para dentro das chamas, outros animais são tomados de pavor e confusão, sem forças correm desesperados do cerco sem saída, insetos desaparecem como folhas secas, vi numa reportagem duas capivaras carbonizadas, seu abdome estufado, suas patas contorcidas, eram semelhantes a um tronco de arvore em carvão, quanta dor elas sentiram!!! ...
No meio do campo incendiado algumas arvores solitárias que ainda sobraram, ardem balançando os galhos como se fossem braços que se erguem no meio das chamas pedindo socorro... nas tempestades muitas aves e outros animais se refugiam entre os galhos, entre os cipós, mas a tempestade era de fogo e desta vez a amiga arvore não pode proteje-los...
O inferno mostra sua cara, no meio das chamas os demônios dançam felizes alimentando-se do desastre consumado, agora o vento soprava quente e seco, a noite caia silenciosa e triste, não ia se ouvir a coruja, o curiango, os grilos, os bichos da noite, os vaga-lumes, apenas a escuridão da queimada e o forte cheiro de enxofre, o sol já havia escondido de vergonha e a lua aparecia tímida e vermelha por ter chorado.
Pensei: Meu Deus!!! Não tenho forças para impedir isso-- assim lembrei-me de São Francisco de Assis, amante da natureza e dos animais, um santo que tenho muita devoção e admiração, que em 1979 o Papa João Paulo II o declarou patrono da ecologia.
Ninguém como Ele irmanou-se tanto com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, das aves e dos animais. O "Cântico ao Sol", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã.
"Vamos orar ao amor a criação de Deus:
Pai São Francisco olhe pelos seus irmãos indefesos que estão na natureza que grita de pavor e dor diante das chamas criminosas, dê forças aos que querem lutar contra essa crueldade que afeta a saúde dos homens e assassina os animais, destrói e desequilibra o meio ambiente, interceda junto ao Deus Pai o seu perdão pela ingratidão e agressão que a nossa irmã a mãe Terra vem sofrendo, que dos dá frutos, vida e embeleza com suas flores nossas vidas, faça com que o homem veja a beleza do mundo e não simplesmente a sua utilidade.
São Francisco o "fogo" só pertence aos demônios que vão para os infernos, não permita que Santas Criaturas de Deus passam por esse horror, não permita meu Pai São Francisco que os homens continuem cegos diante dessa barbárie.
Pai São Francisco temos nossas leis, no entanto elas não tocam os corações dos homens, não sei para que eles as criaram. Só a Lei de Deus Pai pode intervir porque ela é a lei do Amor , e aqueles que não conseguem ouvir a voz do vento, os gritos e pedidos de socorro da natureza na voz de Deus, que se arrependam antes que seja tarde demais."
Invejamos nossos irmãos animais, eles nunca profanaram a Sagrada Mãe Terra, e agora nós os castigamos de forma cruel e covarde. Hoje muitos deles não conseguem fugir da nossa barbárie, mas pode estar certo disso num futuro bem próximo é nós que vamos ter que fugir. Teremos para onde ir?
Chegou, para uma bela ocasião comemorativa, mais um jubileu clariano! É um tempo privilegiado para reforçar, na história da civilização cristã e na Família Franciscana e Clariana, a transparente mulher, mística e santa, que se revela em Santa Clara de Assis. Estamos celebrando os 800 anos da Vocação de Clara de Assis! O Amor a convocou para uma forte experiência de Deus. Desde então, apresentou-se ao mundo como uma mulher nova, personalidade forte, coração impregnado de ternura e passos decididos de uma verdadeira conversão. O Evangelho vivido, a experiência de Francisco de Assis reinventada, o ermo e a fraternidade a colocaram entre Irmãs com presença doce e materna, e a entregaram à humanidade sedenta de um caminho cristão vivido com maturidade.
A Família Franciscana do Brasil coloca em nossas mãos este valioso subsídio para alimentar nosso conhecimento da vida e aprofundar a espiritualidade de Clara de Assis. O sugestivo e fecundo tema: "Santa Clara de Assis e de Hoje, Caminho de Unidade" nos convoca a descobrir com Clara que unidade é ser diferente, única, forte e convicta em abraçar um Espírito Comum. Quando lemos a Legenda de Santa Clara, ela mesma nos mostra que "fundadores modernos e seus autênticos seguidores são luminares do mundo, guias do caminho, mestres da vida" (LSC, Prólogo). Clara é Mestra indicativa do melhor de Deus e do melhor do humano. "Deus suscitou por isso a venerável virgem Clara e acendeu nela uma luz claríssima para as mulheres (...), colocando-a sobre o candelabro para ser luz de todos os que estão em casa" (LSC, Prólogo).
Unidade é colocar em comum a originalidade. Nesta obra temos a possibilidade de fazer uma leitura em comum das ideias de Irmã Delir Brunelli, CF, reencantando "a proposta de Clara de Assis e sua forma de entender e buscar a unidade/irmandade para projetar luz nos caminhos que percorremos hoje, confirmar e fortalecer nossas buscas e sonhos". Irmã Maria Petronila, SMIC, diz que "é com muita alegria que nós, que formamos a Família Francisclariana do Brasil, dizemos que Santa Clara de Assis é também de hoje e estamos celebrando 800 anos depois, e de maneira entusiasmada, porque é uma oportunidade especial para retornarmos às fontes de sua espiritualidade e nos renovarmos". Frei Moacir Casagrande, OFMCap, foca o ponto convergente do nosso Carisma: "É o amor de Cristo que nos reúne, é no amor de Cristo que nos unimos, só Nele adquirimos condições de comungar entre nós e com quem quer que seja". Irmã Sandra Maria, OSC, escreve que "o que se pode afirmar com base nas fontes é que o movimento franciscano, com seu ideal de vida pobre e em santa unidade, teve um impacto sensível sobre ela. Sua vocação, decididamente, será inspirada pelo nascente movimento. Porém, o novo caminho espiritual que Clara irá trilhar deverá traduzir seu ser feminino e se definirá, além disso, como próprio, original, único: marcante feminino, clariano". Irmã Teresinha Del’Acqua, OSF, no olhar a partir da psicologia, nos recorda Clara que, com "sua lucidez ousada, intuitiva, criativa e profética a levou a gestar a primeira regra monástica feminina aprovada pela Igreja, configurando um novo rosto e dinamismo à vida monástica. Clara deu um cunho essencialmente feminino e materno à Regra, enfatizando o carisma e bem menos o caráter institucional, inaugurando uma radical, significativa e vital passagem do "ser monja" para o "ser irmã". E o ponto de partida de Clara é o ponto Santa Clara de Assis e de Hoje: Caminho de Unidade
de partida da reflexão de Frei José Carlos Pedroso, OFMCap: "A principal contribuição de Clara para o Movimento Franciscano foi a maneira de ver Deus Esposo em Jesus Cristo e nos ensinar a vivê-lo na sua contemplação transformante (...). Clara celebrou o mistério do Cristo Esposo com suas Irmãs, no Santuário de São Damião e nas raízes do movimento franciscano. Ela foi penetrando cada vez mais dentro da revelação do Filho de Deus feito humano, do Deus-Esposo da Bíblia nele revelado, e foi tirando desse conhecimento uma riqueza infinita para viver cada vez melhor, para ela mesma, para as pessoas próximas, para a construção da humanidade. Podemos dizer que toda a sua vida foi um cântico de celebração."
Assim, o Jubileu nos coloca mais uma vez no caminho de Clara, o caminho da Unidade.Unidade é a consanguinidade mística, sororal e fraternal que corre em nossas veias. Somos uma família que respira há 800 anos o mesmo Espírito. Unidade é criar e atualizar projetos baseados nos sonhos que colocaram Clara de Assis em passos decididos rumo à sua realização. Unidade é juntar a Família Francisclariana e, novamente, inspirados em nossa fonte maternal, esquentar a nossa busca em transformar este mundo em Reino de Deus. Unidade é não deixar cair a inspiração original e renovar conjuntamente todas as virtudes clarianas: leveza, silêncio, beleza, desapego, ternura, contemplação, amor pleno de cuidado, privilégio em ser pobre, Evangelho feito carne, do claustro para o mundo, e do agito do mundo para o fecundo recolhimento que refaz a nossa vida.
Unidade é amar a partir do valor maior, um amor feito presépio, altar e cruz. Um amor feito irmã e irmão. Unidade é nascer de um revolucionário movimento de amor que impregnou Assis e transformá-lo em Ordem, isto é: o amor também se organiza! A força Trinitária do Amor inspirou Três Ordens e seus ramos que, bebendo na mesma seiva, sonham para este mundo uma perene primavera. Unidade é ser mãe e pai, irmão e irmã, esposo e esposa, o rosto definido de Clara e Francisco, o masculino e o feminino, reflexo da única imagem refletida no Espelho da Unidade: o Cristo pobre, humilde e crucificado, porém o Cristo glorioso, expressivo, vivo em pé a convocar para a contínua reconstrução da casa. Um dia, o Cristo de São Damião chamou Francisco e ele teve a Inspiração; mas há 800 anos , Santa Clara e suas Irmãs amam, zelam e cuidam do lugar da Inspiração.
Unidade é escrever uma Regra de Vida com as formas do coração. Unidade é saber que o movimento transformado em Ordens é uma feliz Família que tem pai e mãe. Esta mãe, mulher apaixonada, cristã e santa, casou com o projeto de vida do Esposo e continua a gerar filhas e filhos, que nos caminhos do mundo e no espaço contemplativo do mosteiro, tem rosto e identidade, tem fontes e fraternidade, e tem esta imensa alegria de festejar a Santa Unidade!
Frei Vitório Mazzuco, OFM
O Livro poderá ser adquirido na Sede da FFB, por apenas R$ 12,00.
Como o santo frade Bernardo de Assis foi mandado por São Francisco para Bolonha, e lá tomou lugar.
Como São Francisco e os seus companheiros tinham sido chamados e escolhidos por Deus para levar com o coração e com obras, e a pregar com a língua a cruz de Cristo, eles pareciam e eram homens crucificados, quanto ao hábito e quanto à vida austera, e quanto a seus atos e operações; e por isso desejavam mais suportar vergonhas e opróbrios pelo amor de Cristo, que honras do mundo ou reverências ou louvores vãos. Aliás, alegravam-se com as injúrias e ficavam tristes com as honras.
E assim iam pelo mundo como peregrinos e forasteiros, não levando consigo nada mais do que Cristo crucificado; e como eles eram da verdadeira vide, isto é, Cristo, produziam grandes e bons frutos das almas, que ganhavam para Deus.
Aconteceu, no começo da religião, que São Francisco mandou Frei Bernardo para Bolonha, para que aí, segundo a graça que Deus lhe tinha dado, fizesse fruto para Deus; e Frei Bernardo, fazendo o sinal da santíssima cruz pela santa obediência, partiu e chegou a Bolonha.
Quando os meninos o viram com aquele hábito insólito e rude, fizeram-lhe muitas caçoadas e injúrias, como se faria com um louco; e Frei Bernardo suportava tudo paciente e alegremente por amor de Cristo. Aliás, para que fosse mais ferido, colocou-se de propósito na praça da cidade. Por isso, quando ele se sentou lá, reuniram-se ao redor muitos meninos e homens, e um lhe puxava o capuz por trás, outro pela frente, um lhe jogava pó e outro pedras, um o suspendia daqui e dali, e Frei Bernardo tinha sempre um modo e uma paciência, com o rosto alegre, que não se queixava nem se perturbava.
E por muitos dias voltou àquele mesmo lugar, também para suportar semelhantes coisas. E como a paciência é obra de perfeição e prova de virtude, um sábio doutor da lei, vendo e considerando tanta constância e virtude de Frei Bernardo, que não podia perturbar-se em tantos dias, por nenhuma moléstia ou injúria, disse consigo mesmo: “É impossível que este não seja um santo homem”.
Aproximou-se dele e perguntou: “Quem és tu, e por que vieste aqui?”. Por resposta, Frei Bernardo pôs a mão no seio e tirou para fora a regra de São Francisco, dando-a para ler. Depois que a leu, considerando o seu altíssimo estado de perfeição, votou-se para os companheiros com grandíssimo estupor e admiração, e disse: “Na verdade, este é o mais alto estado de perfeição que eu jamais ouvi; e assim este com os seus companheiros são dos homens mais santos deste mundo, e faz um pecado enorme quem os injuria, pois ele devia ser sumamente honrado, pois é amigo de Deus”.
E disse a Frei Bernardo: ‘Se vós quereis tomar um lugar em que possais servir adequadamente a Deus, eu vo-lo darei de boa vontade, pela salvação da minha alma”. Frei Bernardo respondeu: “Senhor, eu creio que isso lhe foi inspirado por nosso Senhor Jesus Cristo, e por isso eu aceito de boa vontade a vossa oferta, para honra de Cristo”.
Então o referido juiz levou Frei Bernardo para sua casa, com grande alegria e caridade. E depois lhe deu o lugar prometido, arrumando e completando tudo por sua conta; e daí em diante tornou-se pai e especial defensor de Frei Bernardo e de seus companheiros.
E Frei Bernardo, por seu santo comportamento, começou a ser muito honrado pelas pessoas, tanto que se considerava feliz quem podia toca-lo ou vê-lo. Mas ele, como verdadeiro discípulo de Cristo e do humilde Francisco, temendo que a honra do mundo impedisse a paz e a salvação da sua alma, foi um dia embora, voltou para São Francisco e lhe disse assim: “Pai, está assumido o lugar na cidade de Bolonha; mande para lá frades que o mantenham ou que ali estejam, porque eu não ganhava mais nada, antes, pela honra demasiada que me davam, fiquei com medo de perder mais do que ganharia”.
Então São Francisco, ouvindo tudo pela ordem, como Deus tinha agido por Frei Bernardo, agradeceu a Deus, que assim começava a ampliar os pobrezinhos discípulos da cruz; e andou mandou alguns dos seus companheiros a Bolonha e à Lombardia, os quais tomaram muitos lugares daqueles lados.
Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.
Como São Francisco fez uma Quaresma numa ilha do lago de Perusa, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites, e não comeu mais do que meio pão.
Deus Pai quis fazer de São Francisco, o servo verdadeiro de Cristo, porque em algumas coisas foi como um outro Cristo, dado ao mundo para a salvação das pessoas, conforme e semelhante ao seu Filho Jesus Cristo, como nos demonstra no venerável colégio dos doze companheiros e no admirável mistério dos sagrados Estigmas, como no jejum contínuo da santa Quaresma, que ele fez do seguinte modo.
Estando uma vez São Francisco,no dia do carnaval, ao lado do lago de Perusa, na casa de um seu devoto, com quem tinha se hospedado à noite, foi inspirado por Deus que fosse fazer aquela Quaresma numa ilha do lago. Por isso, São Francisco pediu a esse seu devoto que por amor de Cristo o levasse com a sua barca a uma ilha do lago onde não morasse ninguém, e fizesse isso na noite do dia de Cinzas, de modo que ninguém se desse conta. E ele, por amor da grande devoção que tinha por São Francisco, atendeu solicitamente ao seu pedido e o levou para a dita ilha; e São Francisco não levou consigo a não ser dois pãezinhos.
E quando chegou à ilha e o amigo estava partindo para voltar para casa, São Francisco pediu-lhe encarecidamente que não revelasse a ninguém como ele estava lá, e que não viesse busca-lo a não ser na Quinta-feira Santa. E assim ele partiu, e São Francisco ficou sozinho.
E como não havia nenhuma habitação em que pudesse abrigar-se, entrou num bosque muito espesso, que ameixeiras e arbustos tinham ajeitado como um ninho ou como uma cabaninha; e nesse lugar pôs-se a rezar e a contemplar as coisas celestiais.
E esteve aí durante toda a Quaresma, sem comer nem beber, a não ser a metade de um dos pãezinhos, como descobriu o seu devoto na Quinta-feira Santa, quando voltou a ele; o qual encontrou, dos dois pãezinhos, um e meio; e a outra metade se acredita que São Francisco comeu por devoção ao jejum de Cristo bendito, que jejuou quarenta dias e quarenta noites sem tomar nenhum alimento material. E assim, com aquele meio pão, afastou de si o veneno da vanglória e, a exemplo de Cristo, e jejuou quarenta dias e quarenta noites.
Depois, naquele lugar em que São Francisco tinha feito uma abstinência tão maravilhosa, Deus fez muitos milagres pelos seus méritos. Por isso, os homens começaram a construir casas lá e a morar nelas; e em pouco tempo fez-se um castelo bom e grande, e aí está o lugar dos frades, que se chama lugar da ilha. E os homens e mulheres daquele castelo ainda têm grande reverência e devoção por aquele lugar onde São Francisco fez a referida quaresma.
Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco.
Como São Francisco colocou Frei Masseo no ofício da porta, da esmola e da cozinha; depois, a pedido dos outros frades, o tirou.
São Francisco, querendo humilhar Frei Masseo, para que não se levantasse em vanglória pelos muitos dons e graças que Deus lhe dava, mas em virtude da humildade crescesse com eles de virtude em virtude, uma vez em que ele morava em um lugar solitário com aqueles seus primeiros companheiros verdadeiramente santos, um dos quais era Frei Masseo, disse um dia a Frei Masseo diante de todos os companheiros: “Ó Frei Masseo, todos estes teus companheiros têm a graça da contemplação e da oração; mas tu tens a graça da pregação da palavra de Deus para satisfazer o povo. Por isso eu quero, para que eles possam dedicar-se à contemplação, que tu te encarregues do ofício da porta, da esmola e da cozinha; e quando os outros frades estiverem comendo, tu comerás fora da porta do lugar, de modo que aqueles que vierem ao lugar, antes de baterem, sejam por ti satisfeitos com alguma boa palavra de Deus, de modo que ninguém precise sair a não ser tu. E farás isso pelo mérito da santa obediência”.
Então Frei Masseo puxou o capuz e inclinou a cabeça, e humildemente recebeu e executou essa obediência por muitos dias, fazendo o ofício da porta, da esmola e da cozinha.
Os companheiros, por serem homens iluminados por Deus, começaram a sentir em seus corações grande remorso por causa disso, considerando que Frei Masseo era um homem de grande perfeição, como eles ou mais, e sobre ele fora posto todo o peso do lugar, e não sobre eles. Por isso eles se moveram todos por um só querer e foram pedir ao pai santo que lhe aprouvesse distribuir entre eles os ofícios, pois de nenhum modo suas consciências podiam suportar que Frei Masseo agüentasse tantas fadigas.
Ouvindo isso, São Francisco cedeu aos seus conselhos e consentiu com a sua vontade. Chamando Frei Masseo, disse-lhe: “Frei Masseo, os teus companheiros querem partilhar os ofícios que te dei; e então eu quero que esses ofícios sejam divididos”.
Disse Frei Masseo com grande humildade e paciência: “Pai, o que me impões, tudo ou uma parte, eu o tenho feito por Deus”. Então São Francisco vendo a caridade dos outros e a humildade de Frei Masseo, fez-lhes uma pregação maravilhosa e grande sobre a santíssima humildade, ensinando-lhes que quanto maiores os dons e graças que Deus nos dá, tanto mais devemos ser humildes; pois sem humildade nenhuma virtude é aceitável para Deus. E feita a pregação, distribuiu os ofícios com grandíssima caridade.
Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco.
Fonte I Fioretti- Cap.XII
Comentário:
Nesse capitulo maravilhoso das FIORETTI, São Francisco deixa bem claro sobre os dons concedidos por Deus a cada um de nós, dons que serão aceitos e revelados por Deus de acordo com a humildade que reside dentro de nós, uma dádiva que cabe as pessoas verdadeiramente fiéis a Deus.
A saudação franciscana de "Paz e Bem" tem sua origem na descoberta e na vocação do envio dos discípulos, que São Francisco descobriu no Evangelho e, que ele colocou na Regra dos Frades Menores - "o modo de ir pelo mundo". Lucas (10,5) fala na saudação "A paz esteja nesta casa", e Francisco acrescenta que a saudação deve ser dada a todas as pessoas que os frades encontrarem pelo caminho: "O Senhor vos dê a paz".
No seu Testamento, Francisco revela que recebeu do Senhor mesmo esta saudação. Portanto, ela faz parte de sua inspiração original de vida: anunciar a paz. Muito antes de São Francisco, o Mestre Rufino (bispo de Assis, na época em que Francisco nasceu), já escrevera um tratado, "De Bono Pacis" - "O Bem da paz" e, que certamente deve ter influenciado a mística da paz na região de Assis. Haviam, então, diferentes formas de saudação da paz, entre elas a de "Paz e Bem".
A paz interior como fundamento da paz exterior
Na Legenda dos três companheiros (58), São Francisco dá para seus frades, o significado único para a paz:"A paz que anunciais com a boca, mais deveis tê-la em vossos corações. Ninguém seja por vós provocado à ira ou ao escândalo, mas todos por vossa mansidão sejam levados à paz, a benignidade e à concórdia. Pois é para isso que fomos chamados: para curar os feridos, reanimar os abatidos e trazer de volta os que estão no erro".
Trata-se da paz do coração que conquistaram. Francisco exorta seus frades a anunciar a paz e a testemunhá-la com doçura, porque este é o único caminho de comunicação para atrair todos os homens para a verdadeira paz, a bondade e a concórdia.
A saudação da paz, como primeira palavra que os frades dirigem aos outros, tem o objetivo de abrir os corações à paz, isto é, à força espiritual interior: a paz interior da bem-aventurança e a paz proclamada e dirigida a todos, constituem uma única e mesma realidade.
O Bem da paz - o "Sumo Bem"
Deus Sumo Bem é a experiência fundamental de Francisco, o ponto de partida de sua espiritualidade. Nela se fundamenta a vida franciscana como resposta de amor, configurando o amado ao Amor. Portanto, "Bem" é Deus-Amor, é a caridade.
Deus, o Sumo Bem, chamou a todos a participarem do seu Ser, não no sentido de "soma de todos os bens divinos", mas Deus, enquanto "bem único". Por isso, a atitude típica de São Francisco é o êxtase adorante e a decisão de estar sempre a serviço deste Deus; um serviço que nasce da alegria da gratidão. É a atitude que projeta em Deus a completude de si mesmo, que leva a renúncia a tudo, até à posse de Deus. Francisco descobre neste "vazio", a presença de Deus, unicamente como "dom".
E é justamente este o sentido da resposta humana, a da conversão ao Bem, ao "Sumo Bem": aceitar Deus como centro absoluto da própria existência, e inserir-se no seu projeto tornando-se seu colaborador. Desta experiência nasce a "doçura", que enche a vida de Francisco, a sua necessidade de entregar tudo a Deus (pobreza), de render-lhe graças e louvá-lo sem cessar. Desta experiência nasce também a confiança de tudo arriscar, sabendo que Deus não o deixará desamparado.
"Paz e Bem" - A paz se constrói pela caridade
Portanto, a saudação franciscana de "Paz e Bem" é um programa de vida, é uma forma evangélica de viver o espírito das bem-aventuranças. Nestas duas pequenas palavras se esconde um dinamismo e uma provocação: saudar alguém com "Paz e Bem" é o mesmo que dizer: o amor de Deus que trago em meu ser, é a mesma pessoa que reconheço nos outros e no mundo e, por causa dEle, devemos viver a caridade - o Bem - entre nós.
Daí que, a paz só se constrói por meio da caridade (o Bem), porque a caridade é "forte como a morte" (ct 8,6); à qual ninguém resiste e, quando vem, mata o mal que fomos para que sejamos outro bem. A caridade gera a paz. A caridade está na paz assim como o espírito da vida está no corpo. A caridade sozinha mantém firmemente unidos na paz os filhos da Igreja; faltando a caridade, esta paz se dissolve. A caridade vivifica os membros de Cristo, os une e os faz estar em harmonia num só corpo. Ela é como um cabo, em cuja parte superior foi aplicado um gancho que liga a divindade à humanidade, o cordão que o senhor colocou na terra e com o qual ergueu o homem para o céu" (Mestre Rufino).
Não é do meu feitio, por entender que não é do meu estado/vocação, viajar só para ver. Há tanta coisa para ver! E os pobres não se podem dar a esse luxo... Mas, se a ocasião se propicia no contexto de um trabalho, não posso perdê-la.
Foi o que fiz, quando me convidaram a participar no Capítulo Internacional das Esteiras, em Assis, no mês de Abril passado. Disse então ao Ministro Provincial, frei António Martins: «Nesse caso, gostava de aproveitar a viagem para ir a dois lugares franciscanos que sempre ansiei ver: Greccio e o Monte Alverne.» E assim se fez.
Gente viajada, tinha-me dito que podia ficar decepcionado. Não fiquei. Porque, se eu desejava ir a Greccio, não era para ver presépios – tinha mais de 800 em casa, de 62 países; mas para sentir o ambiente que levou Francisco a anunciar o mistério do Natal de maneira palpável e acessível ao povo, como eu gostaria de fazer com esta colecção.
E nisso, fui plenamente satisfeito. Só foi pena o tempo de permanência ser tão pouco, pois tivemos que saborear os dois lugares no mesmo dia...
Além da paisagem exuberante e agreste que o envolve, o convento de Greccio, ao encargo dos Irmãos Menores, permite ver e tocar os lugares onde Francisco jejuou, rezou e meditou na encarnação do Filho de Deus e no sofrimento de sua Mãe pobrezinha: a cela, o coro, o refeitório, os objectos sagrados; e as marcas da primeira geração franciscana, como o dormitório de S. Boaventura, que foi Ministro Geral da Ordem, cardeal e Doutor da Santa Igreja.
Logo junto da escadaria de acesso, um Francisco peregrino, em bronze, acolhe os visitantes. E na porta de entrada da igreja, a cena do lobo de Gubbio diz-nos que estamos num lugar de paz e pacificação – uma lição de Natal, ainda por assimilar vinte séculos depois.
De facto, os presépios oferecidos e expostos num corredor interior do convento são muitos, e belos e fotografei-os todos. Mas, um presépio local de cariz franciscano, que pudesse valorizar a nossa colecção em Fátima, é que não se fazia por lá. A encenação de Francisco em 1223 não tinha influência no artesanato da região. Apesar disso, encontrei algumas peças soltas, que trouxe para tentar organizá-las em casa num Presépio evocativo daquele lugar.
Ficam as imagens, a sublinhar a memória ali evocada e os sentimentos revividos, como partilha com quem nunca lá poderá ir. E também como forma de tornar a viagem mais rentável para a evangelização que nos propomos aqui.
Associação e Fraternidade fazem peregrinação à Aparecida
Romaria foi realizada em agradecimento aos 25 anos da entidade
Frades, Diretoria e leigos participaram do 2º dia de novena em louvor de Nossa Senhora Aparecida.
Em busca da bênção e do olhar materno da Senhora Aparecida a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus peregrinou até a casa da Mãe, em Aparecida, nos dias 4 e 5 de outubro. No total, 184 pessoas foram até a Capital da Fé para agradecer à Rainha do Céu e da Terra os 25 anos de história e pedir os cuidados da Mãe de Deus para os próximos 25 anos.
Na tarde de 4 de outubro, na Basílica Velha, todos participaram da cerimônia de vestição de 16 noviços, entre eles as três primeiras Irmãs do Ramo Feminino da Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus. Agora, a Fraternidade conta com 31 frades, 13 noviços e 3 noviças.
“Nesses 25 anos não fizemos tudo, mas lutamos para fazer o possível para que esse tudo aconteça. Olhando para o Evangelho do Bom Samaritano somos todos convidados: ‘vai tu e faze o mesmo’, por mais 25 anos. Queremos cumprir o que o Evangelho nos manda por meio de nossas Obras”, disse Frei Francisco aos que celebraram a Missa, na tarde do dia 4.
Após a emoção vivida durante a celebração na Basílica Velha, todos os peregrinos na Providência de Deus, participaram do segundo dia de Novena em honra à Nossa Senhora Aparecida na Basílica. Neste ano, o tema da Novena é “Sob o Olhar da Senhora Aparecida caminhamos com Jesus”. No segundo dia, os romeiros meditaram “Maria, olhar que ilumina”, relembrando o milagre das velas, realizado junto aos primeiros devotos de Nossa Senhora Aparecida.
Maria Clara e Francisco fizeram uma homenagem aos primeiros franciscanos durante a entrada da Palavra de Deus na celebração da Novena, presidida pelo Bispo de Crato (Ceará), Fernando Panico. Concelebraram o Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, o Bispo de emérito de Rubiataba (GO), Dom José Carlos de Oliveira, o Bispo Emérito de Barretos (SP), Dom Pedro Fré, Bispo Emérito Coari (AM), Dom Joércio Gonçalves Pereira e o Reitor do Santuário Nacional, padre Darci Nicioli.
Leigos da Fraternidade também se fizeram presentes nesse momento, todos vestidos com a cor marrom, traço marcante da espiritualidade franciscana. A diretoria da Associação também marcou presença durante as festividades.
Ao final do segundo dia da Novena, todos os peregrinos da Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência participaram da procissão das flores a Nossa Senhora. Todos receberam uma Bênção Especial e foi feita a entrega da réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida a Frei Francisco Belotti. A pequena imagem será entronizada na Festa Testemunho, realizada domingo, dia 10 de outubro, em Jaci (sede da instituição) em comemoração às bodas de prata.
No dia 5, em que é celebrado Santo Benedito, todos os peregrinos da Associação e Fraternidade participaram da Missa na Igreja dedicada ao Santo, em Aparecida. Celebrada pelo padre Jadir Teixeira, redentorista, a Missa foi um envio de todos aos próximos anos da Obra. “A missão começa agora. O peregrino vem à Aparecida buscar a Bênção e torna-se um distribuidor dela nos locais em que vive. Vocês, da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, saem da Casa da Mãe com a missão de levar o olhar dela para todos os lugares pelos quais passarem”, disse o Padre.
Após a Celebração Eucarística, os romeiros da Associação e Fraternidade retornaram a seus lares com a missão de viver na Obra o carisma de Francisco de Assis e abraçar o pobre. Em peregrinação, os franciscanos da época de Francisco costumavam se dirigir às igrejas que encontravam e rezar: “Nós vos adoramos, santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as igrejas que há no mundo inteiro, e vos bendizemos porque por vossa santa Cruz remistes o mundo”. Hoje, também os franciscanos na Providência de Deus, Religiosos e Leigos, querem repetir esse gesto, acolher e bendizer a Jesus na pessoa dos mais necessitados: dependentes químicos, doentes, crianças e idosos, que são também templos de Deus.
“Queremos agradecer a todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a construção dos 25 anos dessa Obra. Agora, somos chamados por Deus a dar continuidade ao projeto de vida que São Francisco nos deu. Nesse momento da nossa história, temos tão pouco a pedir e tanto a agradecer”, afirma Frei Francisco Belotti.
Nunca a humanidade esteve num dilema como o que estamos vivendo. O desenvolvimento tecnológico está levando as pessoas a uma cegueira que poderá nos levar a nossa própria destruição.
Nossos valores estão invertidos, as prioridades do alimentar-se estão ficando cada vez mais distantes.
Os nossos sonhos de consumo deixaram de ser em primeiro lugar uma despensa cheia de alimentos, substituímos por produtos tecnológicos que tanto na produção como no seu final são apenas lixo, muitos deles são perfeitamente dispensáveis a nossa vida.
A natureza mantida pela grande mãe Terra, por mais que lutemos para preservá-la sempre existe destruição. O homem ainda não foi capaz de compreender a sua relação universal com tudo que existe dentro desse universo, pois de tudo dependemos para continuar a nossa saga.
São Francisco de Assis hoje está mais vivo do nunca, ele compreendeu essa relação universal do homem como integrante de um corpo chamado VIDA.
E mais de 800 anos depois da sua passagem corporal entre nós, seus ideais, ensinamentos e Fé continuam vivos e nos mostram dia após dia que ali estaria o caminho: O respeito à natureza para que continuemos nossa vida corporal e conhecimento de Deus para que aprendamos a cultivar a paz e a justiça. E depois da morte corporal alcançar definitivamente a vida eterna.
São Francisco é um ícone dentro do pensamento natural e espiritual, alem da Fé pregada para o verdadeiro conhecimento de Deus, promoveu uma fundição de cada um de nós dentro desse universo: Criação e Fé na existência espiritual.
São Francisco de Assis morre na Igreja de Santa Maria da Porciúncula.
Era o ano de 1226 e já haviam se passado vinte anos de sua conversão.
Francisco soube, por revelação divina, que a hora de sua morte se aproximava, por isso pediu que seus frades ficassem ao redor de si e abençoou-os um a um. Exortou-os a permanecer firmes no serviço do Senhor. Como estava hospedado na casa do bispo de Assis, que muito se preocupava com sua saúde, disse aos frades que desejava ir para Santa Maria da Porciúncula, onde começou a entender com perfeição o caminho da verdade.
São Francisco gostava tanto desta pequena igreja que um dia falou aos seus irmãos: - “meus filhos, não saiam nunca deste lugar. Se expulsarem vocês por um lado, saiam e entrem pelo outro, porque este lugar é santo de verdade e é a habitação de Deus. Aqui o Deus Altíssimo nos fez crescer quando ainda éramos um pequeno grupo. Quem rezar com devoção neste local conseguirá de Deus tudo o que pedir…”
Agora, Francisco estava bastante doente. Os médicos se espantavam de como ele ainda pudesse estar vivo em um corpo que só era pele e osso.
Estando em Santa Maria, pediu novamente que os frades se reunissem ao seu redor e entoassem os Louvores do Senhor. Cantou também, como pôde, um salmo: -”Em voz alta clamo ao Senhor, em voz alta suplico ao Senhor”. Chegou até a convidar a própria morte para o louvor, dizendo: - “seja bem-vinda minha irmã!” Ao médico que estava cuidando dele disse: - “meu irmão médico, me diga com coragem se o momento da minha morte está chegando. Para mim ela é a porta da vida!”
Depois pediu que lessem o trecho do Evangelho de São João que fala assim: -”Antes da Páscoa, sabendo Jesus que sua hora tinha chegado e devia passar deste mundo para o Pai…” Após a leitura, mandou que o deitassem em cima de um cilício (instrumento de penitência que São Francisco e Santa Clara usavam) e que jogassem cinzas por cima de seu corpo, já que em poucos dias seria somente pó e cinza.
Francisco sempre havia dito aos seus frades para que, quando percebessem que a hora da sua morte estava próxima, o colocassem despido no chão, do mesmo jeito como ele tinha vindo ao mundo, e lá o deixassem ficar por algum tempo, mesmo depois de morto.
Pouco depois da leitura das Sagradas Escrituras, Francisco morre. Era o dia 3 de outubro de 1226. Um dos frades que estava presente disse ter visto a alma do santo subindo diretamente para o céu, pois era como uma estrela, mais clara do que o sol.
1 Um dos mais escolhidos primeiros discípulos do bem-aventurado Francisco foi um frade chamado Junípero, fundamentado na solidez de tanta humildade, paciência e desprezo de si mesmo que, mesmo as irrupções dos ventos das ondas de tentações não conseguiam move-lo, tão confirmado estava no sólido fundamento do desprezo de si e do mundo.
Conta-se que se destacava por tão grande graça da paciência que nunca o viram perturbado, apesar de ter sofrido muito.
Pois chegara a tamanho desprezo de si que era tido como bobo ou doido pelos que não conheciam sua perfeição. Por isso, também o bem-aventurado Francisco, comentando as qualidades de seus companheiros, dizia o seguinte sobre Frei Junípero: Será um bom frade menor o que chegar ao seu desprezo do mundo e de si mesmo.
De alguns recebia apoio e incentivo. De muitos, o desprezo e a zombaria. No entender da maioria, o filho de Pedro Bernardone havia perdido completamente o juízo! E não só a garotada da cidade escarnecia dele, chamando-o de louco e outros qualificativos menos nobres.
Mais de uma vez sentiu-se tentado a voltar atrás, quando chegava à porta de seus antigos amigos; mas saía vitorioso nessas lutas entre o orgulho humano e o próprio ideal. Já alguns começaram a reconhecer nele traços do futuro santo, embora ele mesmo ainda não conhecesse claramente sua vocação.
Estava já terminando a restauração da última Igrejinha da redondeza, a capelinha de Santa Maria dos Anjos (na foto abaixo) e perguntava-se o que faria depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia entendido ainda que a Igreja que devia restaurar não era a de pedra, mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época pelas divisões, heresias e pelo apego de seus líderes às riquezas e ao poder. Devia ser aquele o ano de 1209.
Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, "sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso ..." (Lc 9,3).
Tais palavras encontraram eco em seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: "É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!" E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para seus companheiros: "Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo"!
Desde a última quarta-feira, 1º de setembro, as Igrejas cristãs, incentivadas pelo Conselho Mundial de Igrejas, iniciaram um tempo de reflexão e de oração pela natureza chamado "Tempo da Criação".
Do dia 1º de setembro (primeiro dia do ano para a Igreja Ortodoxa) até o dia 4 de outubro (festa de São Francisco de Assis para a tradição católica), o "Tempo da Criação" é um período privilegiado para que as Igrejas reflitam e rezem pela proteção do meio ambiente "como Criação divina e herança compartilhada", nas palavras do Patriarca Ecumênico da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I.
Queimadas nos canaviais, um desrespeito a criaturas de Deus.
As queimadas causadas pelo homem é um desafio e afronta a Deus, pois destrói de forma dramática e cruel a natureza: a origem de toda a vida.
Hoje estamos presenciando as queimadas nos canaviais, atitude acompanhada de várias desculpas, mas se esquecem a tragédia que essa ação causa: a fauna, flora e a saúde humana.
A fauna.
Centenas de animais e insetos são queimados vivos, contribuindo com a extinção total de algumas espécies.
A flora
Alem do desmatamento que ocorrem para implantar a monocultura da cana de açúcar, as queimadas nos canaviais prejudica o desenvolvimento de outros vegetais por causa dos resultados que essa prática pode ocasionar, como: chuva ácida, interferências nos ciclos das chuvas, a polinização fica prejudicada pelo efeito nocivo que causa aos enxames das abelhas. Elimina muitas fontes de alimentos para animais e pássaros que eram adaptados aquele bioma, interferindo assim em toda cadeia alimentar. É um gigantesco deserto verde!
A saúde.
A fuligem, a fumaça e os materiais particulados causam danos à saúde humana, atingindo muitas vezes de forma irreparável o sistema respiratório, pois são alojados nos pulmões desenvolvendo crises alergias, asmas e bronquites. Com o agravante que alguns produtos químicos contidos na fumaça a fuligens são cancerígenos.
O carisma franciscano inspirado nos pensamentos de São Francisco de Assis e tão bem explanado do seu Cântico do Irmão Sol, onde ele associa todos os seres vivos e elementos do mundo como irmãos, portanto dependentes uns dos outros dentro de uma perfeita harmonia e fraternidade para que a criação se mantivesse conforme Deus as concebeu. Mostra-nos o pecado que o homem comete com a destruição da natureza e as queimadas criminosas.
O homem produz todo o tipo de poluição e destruição no mundo, mas nenhuma é uma armadilha que leva a morte cruel e criminosa aos animais silvestres que por uma desventura venham a procriar e a se instalar nos canaviais, e que posteriormente são surpreendidos com as queimadas.
A minha tristeza é a grande indiferença aos problemas ambientais, que cedo ou tarde nos atingirá a todos.
Que Deus nos perdoe!
Paz e bem!
Imagens captadas na região de José Bonifácio-SP:
Rastro da poluição na atmosfera causada pelas queimadas nos canaviais na região de José Bonifácio-SP :
Estas são as palavras da vida e da salvação: quem as ler e praticar, tem a vida e a salvação do Senhor
I. Os que fazem Penitência
Em nome do Senhor!
A todos os que amam o Senhor com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento, com todas as suas forças (Mt 12, 30), e amam o seu próximo como a si mesmos (Mt 22, 39); e aborrecem seus próprios corpos com seus vícios e pecados; e recebem o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo; e fazem dignos frutos de penitência; Oh! quão felizes e benditos são os homens e mulheres que praticam estas coisas e perseveram nelas! porque repousará sobre eles o espírito do Senhor (Is 11, 2) e neles estabelecerá a sua morada e mansão (Jo 14, 23);e são filhos do Pai celeste (Mt 5, 45), cujas obras fazem; e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 12, 50).
Somos esposos, quando pelo Espírito Santo a alma se une a nosso Senhor Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando cumprimos a vontade de seu Pai que está nos céus (Mt 12, 50); somos suas mães, quando o levamos no coração e no corpo (1Cor 6, 20) pelo divino amor e pela pura e sincera consciência, e quando o damos à luz pelas santas obras, que devem brilhar aos olhos de todos para seu exemplo (Mt 5, 16).
Oh! como é glorioso ter no céu um Pai santo e grande! Oh! como é santo ter um tal esposo, consolador, belo e admirável! Oh! como é santo e amável ter um tal irmão e um tal filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e mais que tudo desejável, Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu a vida pelas suas ovelhas (Jo 10,15) e orou ao Pai, dizendo:
Pai santo, guarda em teu nome (Jo 17, 11) aqueles que me deste no mundo; eram teus e tu mos deste (Jo 17, 6). As palavras que me deste a eles as dei, e eles receberam-nas e reconheceram que, na verdade, eu vim de ti e reconheceram que tu me enviaste (Jo 17, 8). Rogo por eles, não rogo pelo mundo (Jo 17, 9). Abençoa-os e santifica-os (Jo 17, 17); também eu me santifico a mim mesmo por eles (Jo 17, 19). Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão-de crer em mim (Jo 17, 20), para que sejam perfeitos na unidade (Jo 17, 23), assim como nós o somos (Jo 17, 11). E quero, Pai, que, onde eu estiver estejam eles também comigo, para que vejam a minha glória (Jo 17, 24) no teu reino (Mt 20, 21). Amen.
II. Os que não fazem Penitência
Porém todos aqueles que não vivem em penitência; e não recebem o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo; e sustentam vícios e pecados; e correm atrás das más concupiscências e maus desejos da sua carne e não guardam o que prometeram ao Senhor; e com o seu corpo são escravos do mundo pelos desejos carnais, pelas solicitudes deste século e pelas preocupações desta vida; seduzidos pelo diabo, de quem são filhos e cujas obras praticam (Jo 8, 41), todos esses são cegos, porque não vêem a luz verdadeira, que é nosso Senhor Jesus Cristo.
Não possuem a sabedoria do espírito, porque não têm em si o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai. Destes foi dito: A sua sabedoria desvaneceu-se (Sl 106, 27); e: Malditos aqueles que se afastam dos teus mandamentos (Sl 118, 21). Vêem e conhecem, sabem e fazem o mal, e deliberadamente perdem as suas almas.
Olhai, ó cegos, que andais enganados pelos vossos inimigos, a carne, o mundo e o diabo, porque ao corpo agrada cometer o pecado e repugna servir a Deus; pois que todos os vícios e pecados brotam e procedem do coração do homem, como diz o Senhor no Evangelho (Mc 7, 21).
E nada tendes neste século nem no vindouro.
Pensais possuir por muito tempo as vaidades deste mundo, mas estais enganados, porque virão o dia e a hora que não suspeitais, que desconheceis e ignorais. E então o corpo debilita-se, aproxima-se a morte, e assim se morre de morte amarga.
E onde, quando e como quer que o homem morra em pecado mortal sem penitência e sem satisfação, e, podendo satisfazer o não faz, o diabo arrebata-lhe a alma do corpo com tão grande angústia e tribulação, que ninguém pode conhecê-las, a não ser quem as experimenta.
E todos os talentos e poder, ciência e sabedoria, que julgavam ter, lhes serão tirados (Lc 8, 18; Mc 4, 25).
E deixam os bens aos parentes e amigos, que os levam e dividem e depois dizem: Maldita seja a sua alma, porque mais nos pudera ter deixado e ter ganhado mais do que ganhou.
O corpo torna-se pasto dos vermes e, assim, perdem corpo e alma nesta vida que é breve, e cairão no inferno, onde eternamente serão atormentados.
III. Última recomendação
A todos aqueles a quem chegar esta carta, rogamos, pela caridade que é Deus (1Jo 4, 16), que benignamente acolham as sobreditas odoríferas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo. E aqueles que não sabem ler, peçam a outros que lhas leiam com frequência; e tenham-nas sempre presentes até ao fim mediante a prática de obras santas, porque são espírito e vida (Jo 6, 64).
E os que assim não fizerem terão de prestar contas, no dia do juízo (Mt 12, 36), perante o tribunal de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 14, 10).
Como Santa Clara, por ordem do Papa, abençoou o pão que estava na mesa, e por isso apareceu o sinal da santa cruz em cada pão.
Santa Clara, devotíssima discípula da cruz de Cristo e nobre planta de monsior São Francisco, era de tanta santidade, que não só os bispos e cardeais, mas até o papa desejava com grande afeto vê-la e ouvi-la, e muitas vezes a visitava pessoalmente.
Entre outras, foi uma vez o santo papa ao mosteiro para ouvi-la falar das coisas celestes e divinas. Estando assim juntos conversando sobre diversas coisas, Santa Clara mandou, no meio tempo, preparar as mesas e colocar sobre elas o pão, para que o santo Padre o abençoasse.
Por isso, terminado o colóquio espiritual, Santa Clara ajoelhou-se com grande reverência e lhe pediu que quisesse benzer o pão colocado na mesa. Respondeu o santo Padre: “Irmã Clara fidelíssima, quero que tu abençoes este pão e que faças sobre ele o sinal da santíssima cruz de Cristo, a quem te deste toda”.
E Santa Clara disse: “Santo Padre, perdoa-me, pois eu seria digna de grande repreensão e, diante do vigário de Cristo, eu, que sou uma pobre mulherzinha, presumisse dar tal bênção”. E o Papa respondeu: “Para que isto não seja imputado como presunção, mas como mérito da obediência, eu te mando por santa obediência que faças o sinal da cruz sobre estes pães e os abençoes em nome de Deus”.
Então Santa Clara, como verdadeira filha da obediência, abençoou com toda a devoção aqueles pães com o sinal da santa cruz de Cristo. Que admirável! De repente apareceu em todos aqueles pães o sinal da cruz entalhado, muito bonito. Então comeram uma parte daqueles pães e guardaram outra parte por causa do milagre.
E o santo Padre, quando viu o milagre, pegou um dos pães, agradeceu a Deus e foi embora, deixando Santa Clara com a sua bênção.
Naquele tempo moravam no mosteiro a Irmã Ortolana, mãe de Santa Clara, e a Irmã Inês, sua irmã, as duas, com Santa Clara, cheias de virtude e de Espírito Santo, e com muitas outras monjas. São Francisco mandava-lhes muitos doentes, e elas os curavam todos com as suas orações e com o sinal da santa cruz.
Um exemplo de desenvolvimento sustentável Em José Bonifácio-SP
Restaurante aumenta seu espaço sem arrancar o pé de arvore-Foto Rivaldo R.Ribeiro
Meus irmãos, depois da informação de um amigo fui ao local constatar o que ele havia dito: “Que depois de uma reforma para ampliação, um restaurante havia preservado uma arvore ali existente ”: Fiquei surpreso com o lindo exemplo desse empresário.
Num tempo que a maioria arranca as arvores quando fazem uma reforma no seu imóvel, apenas pelo orgulho e ostentação para que todos o vejam com a nova pintura. "Uma ingenuidade subdesenvolvida".
Rafael o proprietário dessa lanchonete e restaurante pensou diferente...
Ele precisou aumentar o espaço físico da sua empresa que fica na Avenida Joaquim Moreira, próximo a Igreja de São José-cidade de José Bonifácio-SP, entretanto no espaço para construir o seu projeto de desenvolvimento havia um pé de mangueira, ao invés de arrancá-la que seria a atitude da maioria, ele resolveu fazer um contorno na cobertura para que dessa forma pudesse mante-la ali (FOTOS).
Deu um exemplo claro do que é desenvolvimento sustentável. Que todos nós devemos segui-lo.
Resolvi publicar esse fato nesse blog franciscano, porque e uma atitude que está dentro dos ideais e carisma franciscano.
Nós da família franciscana, pedimos a São Francisco de Assis e a Deus que o abençoe e guarde pelo gesto em defesa da natureza.
Para as culturas clássicas, não judaicas, a natureza não passava de um aglomerado de divindades boas ou más. Os céus, os campos, os regatos estavam povoados de deuses, e uma grande variedades de seres benfazejos ou não. Até meados da Idade Média, a natureza permanecia marginalizada.
E, então, que surge na Úmbria, em Assis, um jovem extravagante que, em meio a uma existência burguesmente acomodada, descobre um ponto fundamental na história da criação: o homem foi criado por Deus, a natureza foi criada por Deus, logo o homem e a natureza são igualmente criaturas de Deus, irmãos por filiação divina.
E reconcilia, em seu espírito, a humanidade com a natureza. Com esta visão, Francisco comportava-se como um novo Adão ao dar nome a todas as criaturas. Uma árvore não será um mito pagão, mas apenas uma árvore. A estrela será apenas estrela e não Vênus. O fogo será apenas fogo, e mais do que isso, irmão fogo! Todas as criaturas parecem estar sendo renovadas à medida que Francisco se identifica mais como criatura de Deus. Antes de Francisco, outras figuras de relevo na espiritualidade cristã viveram em contato com a natureza, mas não sentiram com tanta clareza a sua condição de co-irmãs criaturas.
Francisco não consegue tudo isso de repente. Esse amor foi progredindo à medida em que se abnegava a si mesmo. Esvaziava seu coração das coisas terrenas e o enchia das coisas celestes. Então, via Deus nos mais leves traços e nas mais insignificantes alusões a Deus e o amava assim, presente e percebido.
Ainda hoje admiramos Francisco a sua relação com a natureza, embora muitos não compreendam a profundidade do gesto.
Através das criaturas, Francisco chegava diretamente a Deus, num amor puro e límpido. Não que ele desejasse possuir a coisa criada. Francisco não quis se aproveitar. Ele quis com as criaturas louvar a bondade, a sabedoria, onipotência e providência de Deus.
A renovação espiritual iniciada por Francisco não ficou restrita apenas à visão contemplativa da natureza em si; toda sua cultura, a começar pela manifestação plástica e poética foi revificada, restaurada, engrandecida.
Francisco, ao restabelecer a harmonia primitiva entre o homem e a criação, tornou-se hoje o merecido padroeiro da Ecologia.
Como exaltava o sol e o fogo acima de todas as criaturas
Acima de todas as criaturas destituídas de razão, São Francisco nutria um amor todo particular pelo sol e pelo fogo. Costumava dizer, com efeito: "De manhã, quando o sol se levanta, todos os homens deveriam louvar a Deus que o criou para nossa utilidade, pois é por ele que nossos olhos São iluminados durante o dia. Do mesmo modo, à tarde, quando desce a noite, todos os homens deveriam glorificar a Deus pelo nosso irmão Fogo pelo qual nossos olhos são iluminados durante a noite. Na verdade, somos todos como cegos e o Senhor ilumina nossos olhos por meio destes nossos irmãos. Portanto, devemos louvar de maneira toda especial nosso Criador por causa destas e de todas as outras criaturas, das quais nós nos servimos cada dia".
E foi isto que nosso pai São Francisco fez durante toda sua vida.
Além disso, quando a doença se agravou ainda mais, punha-se a cantar os "Louvores do Senhor através de suas criaturas" que compusera tempos atrás. E fazia que fossem cantados também por seus companheiros para que, pensando no louvor do Senhor, esquecessem a aspereza de suas penas e de suas enfermidades.
Porque considerava o sol a mais bela das criaturas - pois tinha o privilégio de ser semelhante a Deus - e porque na Sagrada Escritura o próprio Deus intitulou-se a si mesmo como "Sol da Justiça", pôs o seu nome à testa dos Louvores que compôs, quando o Senhor lhe assegurou que entraria no seu reino, e denominou-os "Cântico do Irmão Sol".
Como abençoou a cidade de Assis, quando era transportado a Santa Maria para morrer.
Enquanto permanecia no palácio do bispo de Assis, o Seráfico Pai foi advertido, não só por inspiração do Espírito Santo como também pela palavra dos médicos, de que sua morte estava próxima. Sentindo que seu estado se agravava de dia para dia, pois suas forças declinavam, fez-se transportar sobre uma padiola a Santa Maria da Porciúncula, a fim de que sua vida corporal terminasse no mesmo lugar onde começara a conhecer a luz e a vida do espírito.
Quando os carregadores chegaram ao hospital que havia a meio caminho entre Assis e Santa Maria, o santo ordenou-lhes que pusessem a padiola no chão. Como não visse quase nada por causa de sua longa e grave enfermidade dos olhos, pediu que o virassem para a cidade de Assis e, erguendo-se um pouco, abençoou a cidade, dizendo:
"Senhor, sei que esta cidade foi outrora lugar e morada de homens iníquos. Mas agora vejo que na tua grande misericórdia, no momento escolhido por ti, mostra-lhe tua imensa compaixão. Somente por tua bondade a escolheste para ser morada e habitação dos que te conhecem na verdade, rendem glória a teu santíssimo nome e espalham entre o povo cristão o aroma de sua santa vida, da verdadeira ciência e da perfeição evangélica. Rogo-te, pois, meu Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia, que não olhes para as nossas ingratidões, mas te lembres sempre da grande compaixão que tiveste para com ela, a fim de que esta cidade permaneça sempre como habitação e morada dos que te conhecem verdadeiramente e glorificam teu bendito e mui glorioso nome pelos séculos dos séculos. Amém".
Proferidas estas palavras, foi conduzido a Santa Maria, onde, com quarenta anos de idade e vinte de perfeita penitência, emigrou, no dia 4 de outubro do ano do Senhor de 1226, para o Senhor Jesus Cristo, a quem havia amado com todo o coração, com toda sua alma, com todas as suas forças, com ardente desejo e com todo seu afeto; seguindo-o com toda perfeição, correndo atrás de suas pegadas e chegando, por fim, à glória daquele que reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.
Aqui termina o Espelho da Perfeição do estado de Frade Menor, no qual se reflete a perfeição de sua vocação.
Louvor e glória a Deus Pai e ao Pilho e ao Espírito Santo.
Aleluia. Aleluia. Aleluia.
Honra e glória sejam dadas à Gloriosa Virgem Maria.
Aleluia. Aleluia. Aleluia.
Exaltemos o seu santo servidor Francisco. Aleluia. Amém
Como Frei Masseo impetrou de Cristo a virtude da humildade
Os primeiros companheiros de S. Francisco empenhavam-se com todo o esforço em ser pobres das coisas terrenas e ricos das virtudes pelas quais se chega às verdadeiras riquezas celestiais e eternas. Sucedeu um dia que, estando juntos a falar de Deus, um deles disse este exemplo: "Havia um homem que era grande amigo de Deus e tinha grande graça de vida ativa e contemplativa, e com isto tinha tão excessiva e tão profunda humildade, que se reputava grandíssimo pecador: a qual humildade o santificava e confirmava em graça e fazia-o continuamente crescer em virtude e dons de Deus, e não o deixava jamais cair em pecado".
Ouvindo Frei Masseo tão maravilhosas coisas da humildade e conhecendo que ela era um tesouro de vida eterna, começou a ficar tão inflamado de amor e desejoso desta virtude da humildade, que com grande fervor, levantando a face para o céu, fez voto e firmísimo propósito de não mais se alegrar neste mundo, enquanto não sentisse a dita virtude perfeitamente em sua alma. E desde então estava quase continuadamente encerrado na cela, macerando-se com jejuns, vigílias e grandíssimos prantos diante de Deus, para impetrar dele esta virtude sem a qual se reputava digno do inferno, e da qual aquele amigo de Deus, de quem lhe havia falado, era tão bem dotado. E ficando Frei Masseo por muitos dias com este desejo, adveio que um dia entrou na floresta, e no fervor do espírito andava por ela derramando lágrimas, suspirando e falando, pedindo a Deus com fervorosos desejos esta virtude divina.
E porque Deus de boa vontade ouve as orações dos humildes e contritos, estando assim Frei Masseo, veio uma voz do céu, a qual chamou duas vezes: "Frei Masseo, Frei Masseo"; e ele conhecendo, em espírito, que aquela era a voz de Cristo, respondeu: "Senhor meu, Senhor meu". E Cristo a ele: "Que queres dar para ter esta raça que pedes?" Respondeu Frei Masseo: "Senhor, quero dar os olhos do meu rosto". E Cristo a ele: "E eu quero que tenhas a graça e também teus olhos". E dito isto, a voz desapareceu e Frei Masseo ficou cheio de tanta graça da desejada virtude da humildade e do lume de Deus, que daí em diante estava sempre em júbilo; e freqüentes vezes, quando orava, soltava um murmúrio de júbilo com um som abafado, à semelhança das pombas: "Hu, hu, hu"; e com semblante alegre e coração jucundo, ficava assim em contemplação; e com isto, tendo-se tornado humilíssimo, se reputava o mínimo de todos os homens do mundo.
E perguntado por Frei Tiago de Fallerone por que em seu júbilo não mudava o canto, respondeu com grande letícia que quando em uma coisa se encontra todo o bem não é preciso trocá-la por outra.
Primeira consideração sobre os sagrados santos estigmas.
(Como São Francisco recebeu em doação o Monte Alverne)
Quanto à primeira consideração, devemos saber que São Francisco, com a idade de quarenta e três anos, em 1224, inspirado por Deus, moveu-se do vale de Espoleto para ir à Romanha com Frei Leão, seu companheiro. E na viagem passou ao pé do castelo de Montefeltro, onde havia então um grande banquete com cortejo pela cavalaria nova de um dos condes de Montefeltro. Quando São Francisco soube dessa solenidade que ali se realizava, e que lá estavam reunidos muitos gentis-homens de diversos países, disse a Frei Leão: “Vamos lá em cima para essa festa porque, com o auxílio de Deus, faremos algum fruto espiritual”.
Entre os outros gentis-homens que tinham ido daquela região para aquele cortejo, havia um grande e também rico homem da Toscana, que se chamava Orlando de Chiusi de Casentino, o qual, pelas coisas maravilhosas que tinha ouvido da santidade e dos milagres de São Francisco, tinha grande devoção para com ele e tinha muita vontade de vê-lo e de ouvi-lo pregar.
São Francisco chegou ao castelo, entrou e foi à praça, onde estava reunida toda a multidão dos gentis-homens, e com fervor de espírito subiu sobre um murinho e começou a pregar, propondo como tema da pregação esta palavra em vulgar: Tanto é o bem que eu espero, que toda pena é um prazer para mim. E sobre este tema, por ditado do Espírito Santo, pregou tão devota e tão profundamente, provando-o pelas diversas penas e martírios dos santos Apóstolos e dos santos Mártires, e pelas duras penitências dos santos Confessores, pelas múltiplas tribulações e tentações das santas Virgens e dos outros Santos, que todas as pessoas estavam com os olhos e a mente suspensos olhando para ele, e escutavam como se estivesse falando um Anjo de Deus. Entre eles, o dito monsior Orlando, tocado por Deus no coração pela maravilhosa pregação de São Francisco, resolveu no coração que ia tratar e discorrer com ele, depois da pregação, sobre as coisas de sua alma.
Por isso, terminada a pregação, levou São Francisco à parte e lhe disse: “Ó pai, eu gostaria de tratar contigo da salvação de minha alma”. São Francisco respondeu: “Muito me agrada; mas, nesta manhã, ide honrar os vossos amigos que vos convidaram para a festa e comei com eles, e, depois da refeição, falaremos os dois quanto vos agradar”.
Então monsior Orlando foi jantar e, depois de jantar voltou a São Francisco e tratou e dispôs com ele plenamente os fatos de sua alma. No fim, esse monsior Orlando disse a São Francisco: “Eu tenho na Toscana um monte muito devoto, que se chama Monte Alverne, que é muito solitário e selvagem, muito adequado para quem quiser fazer penitência ou para quem deseja vida solitária, num lugar afastado das pessoas. Se ele te agradar, eu vou dá-lo de boa vontade a ti e a teus companheiros, pela salvação de minha alma”.
Ouvindo São Francisco essa oferta tão liberal daquilo que ele tanto desejava, ficou muito alegre, louvando e agradecendo primeiro a Deus e depois ao predito monsior Orlando, e lhe disse assim: “Monsior, quando tiverdes voltado para vossa casa, eu vos mandarei companheiros meus e vós lhes mostrareis o monte. Se lhes parecer adequado para a oração e para fazer penitência, eu aceito desde agora a vossa caridosa oferta”.
Dito isso, São Francisco foi embora. Quando acabou sua viagem, voltou a Santa Maria dos Anjos. E monsior Orlando, de maneira semelhante, acabada a solenidade daquele cortejo, voltou ao seu castelo, que se chamava Chiusi, e estava perto do Alverne, a uma milha.
Como São Francisco, estando com os companheiros a falar de Deus, ele apareceu no meio deles.
Estando São Francisco uma vez, nos princípios da Ordem, recolhido com os seus companheiros a falar de Cristo, em um convento, no fervor de espírito mandou a um deles que em nome de Deus abrisse a boca e falasse de Deus o que o Espírito Santo lhe inspirasse.
Obedecendo o irmão à ordem e falando maravilhosamente de Deus, S. Francisco lhe impôs silêncio e mandou a outro irmão que fizesse o mesmo.
Obedecendo este, e falando sutulíssimamente Deus, S. Francisco lhe impôs o silêncio e ordenou ao terceiro que falasse de Deus. O qual semelhantemente começou a falar tão profundamente das coisas secretas de Deus, que certamente S. Francisco conheceu que ele, como os dois outros, falava pelo Espírito Santo. E isto ainda se demonstrou por nítido sinal; porque, estando neste falar, apareceu Cristo bendito no meio deles sob as espécies e em forma de um jovem belíssimo, e abençoando-os, encheu-os a todos de tanta doçura, que todos foram arrebatados de si mesmos, sem sentir nada deste mundo.
E depois, voltando eles a si, disse-lhes S. Francisco: "Irmãos meus caríssimos, agradecei a Deus, que quis pela boca dos simples revelar os tesouros da divina sapiência; porque Deus é aquele que abre a boca aos mudos e faz falar sapientissimamente a língua dos simples".
Como S. Francisco fez uma Quaresma em uma ilha do lago de Perusa, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites e nada comeu além de meio pão.
I Fioretti de São Francisco de Assis.
Capitulo 07.
Por ter sido o verídico servo de Cristo, monsior São Francisco, em certas coisas, quase um outro Cristo dado ao mundo para a salvação dos homens, Deus Pai o quis fazer em muitas ações conforme e semelhante a seu filho Jesus Cristo; como no-lo demonstrou no venerável colégio dos doze companheiros, e no admirável mistério dos sagrados estigmas e no prolongado jejum da santa Quaresma, que fez deste modo.
Indo por uma feita S. Francisco, em dia de carnaval, ao lago de Perusa, à casa de um seu devoto, onde passou a noite, foi inspirado por Deus para observar aquela Quaresma em uma ilha do dito lago.
Pelo que S. Francisco pediu àquele devoto, pelo amor de Cristo, o levasse em sua barquinha a uma ilha do lago, onde não habitasse ninguém, e isto fizesse na noite de Quarta-feira de Cinzas sem que nenhuma pessoa o percebesse; e ele, pelo amor da grande devoção que tinha a S. Francisco, solicitamente atendeu-lhe ao pedi-lo e o transportou à dita ilha: e S. Francisco só levou consigo dois pãezinhos.
E, chegando à ilha e o amigo partindo para voltar a casa, S. Francisco lhe rogou por favor que não revelasse a quem quer que fosse a sua permanência na ilha e só o fosse procurar na Quinta-feira Santa; e assim o outro se foi. E S. Francisco ficou sozinho: e ali não havendo habitação em que ficasse, entrou num bosque muito copado, no qual muitos espinheiros e arbustos se reuniam a modo de uma cabana ou de uma cova, e naquele lugar se pôs em oração e a contemplar as coisas celestiais.
E ali passou toda a Quaresma sem comer nem beber, além da metade de um daqueles pãezinhos, conforme o que encontrou o seu devoto na Quinta-feira Santa, quando o foi procurar: o qual achou dois pãezinhos, um inteiro e outro pela metade.
E a outra metade acredita-se S. Francisco ter comido em reverência ao jejum do Cristo bendito, que jejuou quarenta dias e quarenta noites sem tomar nenhum alimento material.
E assim, com aquele meio pão, expulsou de si o demônio da vanglória e, a exemplo de Cristo, jejuou quarenta dias e quarenta noites. E depois, naquele lugar, onde S. Francisco fizera tão maravilhosa abstinência, realizou Deus muitos milagres pelos méritos dele; pela qual coisa começaram os homens a edificar casas e habitá-las; e em pouco tempo construiu-se um bom e grande castelo e houve um convento de frades, o qual se chama o convento da Ilha; e ainda os homens e mulheres daquela aldeia têm grande reverência por aquele lugar, onde S. Francisco passou a dita Quaresma.
Quando olhamos o mundo o que nos chama mais atenção é a vida, pois tudo que embeleza verdadeiramente o planeta Terra não é de plástico, o artificial, e sim criaturas sencientes. Criaturas que nos devolve sentimentos, impressões, perfumes, alimentos, cores embelezando os espaços, sons belíssimos vindo do fundo das florestas como se fossem vários instrumentos que orquestram a natureza: gorjear dos pássaros, zumbir dos insetos, coaxarem dos sapos, o murmúrio das águas de um riacho, o trovão como um gigantesco tambor onde Deus mostra a Sua força...
Se você sentir, ouvir os sons da natureza, olhar para uma arvore e compreender o que ela quer te dizer, mesmo inanimada ela oferece todos os sinais da vida, terás entendido o significado da vida. És um ser senciente e iluminado.
Ninguém admite em seu jardim flores de plásticos. Queremos flores verdadeiras com seu perfume verdadeiro. Queremos ver os beija-flores, as borboletas, os insetos dentro desse mundo criativo e soberano.
São Francisco de Assis como um homem senciente louvava a Deus por todas as criaturas, as considerava como irmãs e hoje todos sabemos que ele tinha razão, que dependemos do ecossistema para que a vida continue.
Mas mesmo assim a ganância de alguns homens “cegos” vem arriscando o equilíbrio da vida, destruindo florestas, mudando cursos dos rios, poluindo a atmosfera com queimadas agrícolas e com outros poluentes industriais.
O homem luta contra a vida. Incineram milhares de animais, insetos e vegetais nas queimadas nos canaviais com a desculpa de salvar o planeta com os tais biocombustíveis limpos. Mas ao olharmos de perto sabemos que esses combustíveis não são totalmente limpos, pois degrada a natureza, existe mão de obra escrava ou sub-empregos o que não deixa de estar bem próximo do trabalho escravo, bombardeia as cidades com suas fuligens tóxicas, pode tornar o solo estéril levando a desertificação, contamina os mananciais, lençóis freáticos, e perigosamente os grande aqüíferos como o Guarani.
Os conflitos entre homens sencientes e os alienados “cegos” é desigual, porque o homem senciente é da paz, preserva a paz... Mas como persuadir esse outro lado dos humanos que estão errados, que condenam a si mesmo e aos inocentes do futuro?
Devemos conscientizar o maior numero de pessoas possíveis sobre esse grande problema climático que estamos vivendo, a nossa geração foi escolhida por Deus para a manifestação em defesa da vida. “Aqui estamos Senhor para cumprir a Sua Palavra!”
“São Francisco de Assis rogue por nós, vós que ama os animais e toda a criatura, que compreende tudo que há na natureza e seus elementos. Rogue pela vida para que o Pai Supremo tenha misericórdia de todos nós...”.
Vida está em Deus, Deus é a vida.
Crime ambiental: Tamanduá vitima das queimadas nos canaviais.
-* 1 Certo dia, Jesus estava na margem do lago de Genesaré. A multidão se apertava ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2 Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago; os pescadores haviam desembarcado, e lavavam as redes. 3 Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avance para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca.” 5 Simão respondeu: “Mestre, tentamos a noite inteira, e não pescamos nada. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes.” 6 Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes, que as redes se arrebentavam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que fossem ajudá-los. Eles foram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. 8 Ao ver isso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9 É que o espanto tinha tomado conta de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10 Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Mas Jesus disse a Simão: “Não tenha medo! De hoje em diante você será pescador de homens.” 11 Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo, e seguiram a Jesus.
* 5,1-11: A cena é simbólica. Jesus chama seus primeiros discípulos, mostrando-lhes qual a missão reservada a eles: fazer que os homens participem da libertação trazida por Jesus e que só pode realizar-se no seguimento dele, mediante a união com ele e sua missão. O convite ao seguimento é exigente: é preciso “deixar tudo”, para que nada impeça o discípulo de anunciar a Boa Notícia do Reino.
6 Entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados.
7 Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória.
8 Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória).
9 É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
10 Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus.
11 Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.
12 Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou 13 e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais.
14 Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar.
15 O homem espiritual, ao contrário, julga todas as coisas e não é julgado por ninguém.
16 Por que quem conheceu o pensamento do Senhor, se abalançará a instruí-lo (Is 40,13)? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo.
Presépio exposto na capela de São José-(José Bonifácio-sp)
A encarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo, mudou o curso da história, o destino do homem e do mundo. O tempo foi fecundado pelo eterno e os atos humanos ganharam uma significação decisiva: nos fatos se constrói a salvação ou a perdição da vida. Crer num Deus que assumiu a condição humana é crer que toda pessoa tem uma dignidade e um valor fundamental, pelo simples fato de viver, porque a vida é sagrada.
Depois de Cristo, tudo tem a ver com Deus: as criaturas, a natureza, as diferentes culturas, as raças, e todas as coisas mais comuns que constituem a vida humana. "Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele nada se fez de tudo o que foi feito" (Jo 1,3). Hoje, a encarnação tem um caminho de volta: por meio de cada pessoa e do mundo em que vivemos, podemos descobrir a presença do Deus que assumiu nossas feições e tornou-se um de nós. "Entre nós armou sua tenda e nós vimos sua glória" (Jo 1,14).
Quando São Francisco de Assis, em sua intuição original recriou no presépio de Greccio, a expressão poética do natal, desejava experimentar e reviver na própria carne, o mistério e o encantamento, o amor e a dor, a contradição da glória divina revelada na pobreza do Filho de Deus. Desde então, compor um presépio com figuras e materiais comuns e ordinários, tornou-se um ato de fé, vislumbrando a presença do Deus encarnado em tudo aquilo que constitui a vida. Para contemplar o presépio e nele descobrir a revelação divina no cotidiano humano, há uma condição: é preciso mudar o coração e o olhar, porque o mundo tornou-se presépio.
É este o sentido de compor e imaginar a cena do nascimento de Jesus Cristo nas mais diferentes situações e culturas. É Ele o índio, é Ele o negro, é Ele o pobre, o homem comum na cidade, na favela, no campo... Porque todo ser humano tornou-se sacramento do Filho, e todo lugar e cultura tornaram-se sacramento da manjedoura de Belém. Universal não é o presépio, é sim o mistério da vida que só tem uma morada: o coração humano.
Natal e presépio revelam uma contradição: ao assumir na carne as limitações da vida humana, Deus eliminou toda distância e superou toda separação. Porque é livre, cada pessoa pode não viver nesta mesma dinâmica divina do amor e, de algum modo, vai experimentar o paradoxo de uma vida fechada em si mesma. Natal é linguagem divina. Presépio é pedagogia humana para que, na abertura ao mundo, se possa descobrir o que é essencial. Então seremos capazes de sentir, mesmo na precariedade da vida que, "Deus armou sua tenda entre nós, e vimos sua glória, e da sua plenitude TODOS nós recebemos graça sobre graça" (Jo 1,14.16).
Presépio exposto na Capela São José. (José Bonifácio-SP.)
O primeiro Presépio ao vivo foi feito por São Francisco de Assis na noite de Natal de 1223, num monte junto da aldeia de Greccio, em Itália.
O seu amigo João, dono da herdade, emprestou um boi e um jumento; o povo acorreu com archotes; Francisco, diácono, proclamou e explicou o Evangelho.
Dizem os Biógrafos que, ao pronunciar o nome de Jesus, o Santo passava a língua pelos lábios como que a saborear mel; ao dizer Belém, a sua voz balia como a de um cordeiro; e quando pegou no Menino ao colo, a imagem de Jesus, em barro, animou-se e sorriu-lhe.
O anjo disse: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo; hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor”
Francisco de Assis preparou o momento da sua morte como uma grande celebração. Não quis o véu da tristeza, mas sim o sereno júbilo dos realizados. Convocou os frades para entoarem o Cântico das Criaturas onde um verso assim dizia:
"Louvado sejas, meu Senhor, por nossa Irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar!" E assim aconteceu o seu "transitus", isto é, sua passagem para a vida eterna, no entardecer do dia 03 de outubro de 1226. .
Assim, a palavra "trânsito" passa a ser uma tradição franciscana para lembrar a última e definitiva passagem do humano. É a viagem dos justos para a eternidade, a passagem desta vida para a vida eterna. A este trânsito alude o prefácio da Missa de Exéquias: "aos vossos fiéis, Senhor, a vida não lhes é arrancada, mas apenas transformada".
Que transformação é esta? A alma entra glorificada no Paraíso que construiu já aqui nesta vida. Constrói na força do instante bem-vivido, cada dia, para habitar na eternidade. O jeito franciscano de viver é abraçar a pureza evangélica; ser um amante da fraternidade; um apóstolo construtor da paz; cultor da pobreza, alegre e pequeno servidor; denunciar com o testemunho de vida a vaidade e o poder; ser uma criatura livre nas asas do espaço e do tempo; cantar sem cessar a alegria de viver! Quem vive assim, permanece!
A morte não marca o fim da existência do humano que crê, mas abre as portas para a verdadeira imortalidade. Quem vive imerso na Grandeza do Amor celebra, com os irmãos e irmãs, a vida de tudo e de todos, imprimindo certeza e alegria de quem sabe que, vivendo uma vida fiel aos valores do Evangelho, vai participar da Ressurreição. .
A morte dá um acabamento final a uma vida de empenho, ascese, entrega e penitência. É um happy end. Uma apoteose final. Ser penitente é limpar dentro de si e na vida aquilo que não é bom para se chegar a uma retidão de vida. Não adianta lutar por uma ordem externa, se o interior não tiver conquistado a própria harmonia. Superar dificuldades, doenças, sofrimentos, limitações pertence também ao caminho da perfeição.
A boa tradição franciscana acolhe serenamente a morte, cantando, porque a vê como o momento culminante da vida. É a porta para a Vida Eterna! "É morrendo que se vive para a Vida Eterna!" Hóspede bem-recebida é abraçada por um divino nobre e não por um humano amargo. A morte é consumação da existência e a entrega de uma vida vivida em plenitude. A consciência da morte é que dá sentido à vida, pois esta é compreendida como mera transitoriedade. Através da morte podemos contemplar a presença do Grande Pai acolhendo, recebendo o filho ou a filha amada. A entrega final e reconciliadora com quem nos deu a origem. Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã Morte! Morte que abre as portas para ti! Morte que chegou na hora devida, preparada, amada, intensa.
Morte na Paz, morte no Bem, morte para a Vida, morte sem morte, morte Irmã!
-* 1 Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os aflitos, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.»
* 5-7: O Sermão da Montanha é um resumo do ensinamento de Jesus a respeito do Reino e da transformação que esse Reino produz. Moisés tinha recebido a Lei na montanha do Sinai; agora Jesus se apresenta como novo Moisés, proclamando sobre a montanha a vontade de Deus que leva à libertação do homem.
* 5,1-12: As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime.
Os que buscam a justiça do Reino são os «pobres em espírito.» Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade.
Há algum tempo tive um sonho com São Francisco de Assis, era um homem que personificava a humildade, e por isso falou fundo no meu coração quando deu-me um conselho que só alguém com muito amor poderia dar:
-“Você precisa rezar mais! Perguntei-lhe: Quem é você? E ele respondeu: São Francisco de Assis”.
Nos dias seguintes passei a pesquisar sobre São Francisco e assim conhecendo um dos maiores homens que já passou por esse mundo, o seu modo de amar Jesus Cristo e compreender realmente quem somos: filhos e filhas de Deus.
São Francisco conhecia a intimo dos animais, de todas as criaturas e a importância dos quatro elementos da natureza: terra, água, ar e fogo (Cântico do irmão Sol), soube que todos faziam parte da criação, ele nos ensinou a respeitar tudo isso porque sabia que a vida se origina neles, através deles e junto com eles.
O homem sozinho dentro do mundo nada somos, pois sem os elementos da natureza, e com destruição e a extinção de muitas espécies pode levar a humanidade ao desaparecimento.
Hoje estamos presenciando muitos fenômenos climáticos, a maioria deles provocados pelo homem, não estamos respeitando a nossa irmã natureza, nosso meio ambiente e a mãe Terra.
São Francisco tinha respeito e admiração por tudo que havia na natureza, porque a sua estreita ligação com Deus o fez enxergar que tudo que Deus criou no planeta foi criado para que a vida fosse possível. Nada foi criado sem um objetivo. Portanto como São Francisco dizia: todos somos irmãos, porque todos são necessários para que haja a vida na Terra: desde um vermezinho ao maior dos animais.
Além da sua vital relação com a natureza influenciando de forma quase utópica a sua proteção, onde leva o homem de hoje a questionar a si mesmo dentro do mundo, também existe uma grande importância na evangelização dos povos, pois é um santo admirado pelo mundo todo.
Amava a Eucaristia com tanta devoção que contagiava os que o viam aproximar-se da Mesa Eucarística, como discípulo de Cristo sabia que naquele momento ia ao Seu encontro.
Amava como Jesus amou: pobres, doentes, desesperados e excluídos. Os leprosos que eram na época excluídos por toda a sociedade como seres abomináveis, repulsivos e perigosos eram acolhidos por ele como irmãos, ela cuidava das suas feridas e os alimentava. Santa Clara que também havia compreendido esse chamado de Deus o ajudava nessa missão indesejada pela maioria das pessoas.
Portanto sempre agradeci a Deus por ter enviado São Francisco num sonho a mim, porque através dele conheci e estou descobrindo a maravilha da Fé em Deus, o significado do amor pela Sua criação, um amor que representa a nossa própria VIDA.
São Francisco de Assis desejava ser como Cristo, que viveu pobre toda sua vida. No começo seus colegas começaram a caçoar e a reprovar suas atitudes. Mas, com o tempo, entenderam a grande missão e seguiram Francisco até o fim de suas vidas. A todos que manifestam desejo de segui-lo, Francisco dizia: - Vá, vende tudo que tens e dá aos pobres. Não possuas nada consigo e siga somente ao Pai eterno e a Jesus Cristo.
Historicamente, o primeiro discípulo conhecido foi Frei Bernardo Quintavalle, que além de discípulo tinha uma grande devoção pelo Santo. A sua adesão - e de mais três rapazes - aconteceu na Igreja de São Nicolau.
Como Francisco ainda não tinha escrito uma Diretriz ou Norma de Vida para quem quisesse seguir os seus passos, colocou-se nas mãos de Deus a fim de que Ele inspirasse sua conduta. Diante do Sacrário na Igreja, abriu ao acaso por três vezes a Santa Bíblia e leu as seguintes frases: "Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos Céus." (Mt 19,21) Na segunda vez: "Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." (Mt 16,24). E, finalmente, na terceira vez: "Não queirais levar para a viagem coisa alguma". (Lc 9,3) Bernardo era nobre e possuía muitos bens. Separou sua parte na herança, vendeu e distribuiu para os pobres de Assis e foi encontrar-se com Francisco.
Com seis meses de apostolado, o número de Frades cresceu para nove homens. Por essa razão, Francisco decidiu deixar a cabana da Porciúncula e transferiu-se para RivoTorto, instalando-se numa casa que conseguiu, a qual chamavam de "tugurium", porque era pequena e velha, embora o local fosse esplêndido. Ficava cerca de 20 minutos a pé da Igreja de Santa Maria dos Anjos.
Quando o grupo chegou a 12 irmãos, São Francisco decidiu ir até Roma epedir ao Papa autorização para viverem a forma mais pura do Evangelho,conforme o desejo e a escolha que fizeram. O Papa achou que seria muitoduro para eles esse modo de vida, porém deu permissão e também autorizou que eles pudessem pregar. Durante esse período de visita, o Papa teve um sinal profético e reconheceu em Francisco, o homem que em seu sonho segurava a Igreja como uma coluna. Muitos outros Irmãos foram se juntando ao grupo, desejando viver conforme Francisco. São Francisco assistiu ao crescimento da Ordem, que se espalhou por diversas partes do mundo. Os frades fizeram suas habitações em choupanas ao redor da Igrejinha da Porciúncula (significa pequena porção de terra). Os valores franciscanos os levavam a dividir as atividades entre oração, ajuda aos pobres, cuidados aos leprosos e pregações nas cidades.
Grande Artífice da verdade!... Aqui estamos nesta casa do teu coração, como sermos penitentes em busca da perfeição, e queremos encontrar os meios, que nos fogem da razão.
Pedimos-Te a paz, Senhor, mas que ela não nos venha com a feição da preguiça.
Pedimos-Te a luz, mas não permitas, Senhor, que ela nos leve a cruzar os braços nos confortos das claridades.
Pedimo-te, Senhor, a que nos ajude a perdoar, sem nos afastar daqueles que, por vezes, nos ofenderam.
Pedimos-Te, Grande Força do Universo, Amor, mas muito amor, sem que ele exija algo de alguém.
Pedimos-Te, Senhor, que nos dê o pão de cada dia, sem que este pão nos leve ao egoísmo, e que possamos reparti-lo com os que têm fome.
Pedimos-Te, Senhor, consolação, porem, que nos ajudes também a consolar os tristes e os desesperados, todos os dias.
Pedimos-Te, meu Deus, Deus nosso, que a saúde se instale em nós, mas que não nos esqueçamos de ajudar os enfermos.
Pedimos-Te, Senhor, o teto, mas, ajuda nos a abrir as nossas portas aos desabrigados.
Pedimos-Te a Tua companhia permanente, todavia, ajuda nos a acompanhar os deserdados, os órfãos, os atormentados, os viciados, os criminosos, os famintos da Tua Luz, porque sabemos que, sem este convívio, de nada nos valerá pedir-Te o que almejamos. Jesus, abençoa a nossa razão e clareia o nossos sentimentos, no afã de sentirmos a luz da Verdade e multiplicá-la pela presença dos nossos exemplos.
Maria Santíssima, seja a nossa luz para que o Amor brilhe dentro de nós como o Sol da vida.
Abençoa-nos todos, os nossos familiares, a humanidade inteira, os pássaros, os peixes, os animais e a Terra em que vivemos." (Francisco de Assis)
Hoje (04/10) comemoramos o dia de São Francisco de Assis
No dia 4 de outubro comemoramos Francesco, esse italiano de Assis e do mundo. Não podemos repetir São Francisco. Nós, seus discípulos, não somos Francisco de Assis. Ele é único.
“O Espírito Santo não se repete. Haveremos de descobrir que esse Espírito nos convida a tornarmo-nos, para os homens do século XXI, uma Palavra de vida, a sermos irmãos e irmãs do Evangelho a partir do qual ousaremos abrir novas estradas de liberdade, de esperança e de alegria. Queremos beber da mesma fonte borbulhante da qual Francisco bebeu para encarnar hoje a alegria e a loucura do Evangelho.
Francisco não pertence a ninguém. É característica das grandes figura – bem como das grandes obras literárias e musicais – serem inexauríveis. O próprio Evangelho nunca deixa de ser lido, relido, comentado e vivido. É sempre novo!” (Michel Hubaut, La gioa di viverei il Vangelo, Ed. Messagero, Padova 2006, p. 10).
Em 1216 São Francisco de
Assis estava orando na igrejinha da Porciúncula, quando de repente ela torna-se
iluminada, e São Francisco de Assis vê sobre o altar o Cristo revestindo de luz
e à sua direita a Mãe Santíssima. E eles perguntam a São Francisco o que ele
desejava para que as almas fossem salvas? Assim ele Os pede que seja concedido
um generoso perdão a todos que se arrependessem e confessassem seus pecados, e
fossem visitar aquela igrejinha.
E o Senhor acolhe a sua
oração e propõe que ele peça ao Seu Vigário na terra, de Sua parte, esta
indulgência. E São Francisco vai até ao Papa Honório III e conta-lhe a visão que
tinha tido.
E Feliz caminha até à porta,
negando qualquer documento que comprove a autorização do Papa, bastava-lhe a sua
palavra, o documento seria a Santíssima Virgem Maria, o Senhor como escrivão e
os Anjos as testemunhas.
O Perdão de Assis é uma
manifestação da misericórdia de Deus e um sinal do amor apostólico de São
Francisco, que disse alguns dias depois em lagrimas: "Meus irmãos, quero que
todos vocês vão ao Paraíso!"
Esta indulgência é dada
somente em um dia do ano: começa às 12 horas do dia 01 de agosto até o final da
tarde de 02 de agosto, todo ano. Este dia tem como padroeira Nossa Senhora dos
Anjos, e foi estendida a qualquer Igreja Católica do mundo.
Assim, ganham a Indulgência,
todas as pessoas que tendo feita a confissão sacramental, visitarem uma Igreja
nos dias mencionados, receberem a comunhão eucarística e rezarem um "Pai nosso",
uma "Ave Maria" e um "Glória", pelas intenções do Santo Padre, o Papa. Assim
sendo, poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, em favor de
pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de conversão do coração.
Onde houver ódio, que eu leve o Amor. Onde houver ofensa, que eu leve o Perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a União. Onde houver dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver erro, que eu leve a Verdade. Onde houver desespero, que eu leve a Esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a Alegria. Onde houver trevas, que eu leve a Luz.
Ó Divino Mestre, fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe, é perdoando que e é perdoado, e é morrendo que se ressuscita para a Vida eterna.
fonte: Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Portugal)
BENDITO SEJA..
Está oração foi dita da por Francisco a Frei Leão, após a negativa do papa Inocêncio III de recebê-lo, "se for realmente importante para a igreja como ele diz, ele voltara" foram às palavras do papa ao Bispo que recebeu Francisco.
Benditas sejam as dificuldades que nos agridem e fazem pensar.
Benditas sejam as horas que gastamos em função do bem eterno.
Bendito seja quem nos maltrata à primeira vista e nos ajuda a melhorar.
Bendito seja que não nos conhece e não acredita em nós.
Bendito seja quem nos compara com vagabundos e indolentes.
Bendito seja quem nos expulsa, como parias ou fanáticos.
Bendito seja a mão que nos nega o cumprimento.
Bendito seja quem quer nos esquecer, impaciente.
Bendito seja quem nos nega o pão de cada dia.
Bendito seja quem nos ataca por ignorância e covardia.
Bendito seja quem nos experimenta no correr do tempo.
Bendito seja quem nos faz chorar nos caminhos.
Bendito seja quem não agrada no momento.
Bendito seja quem exige de nós a perfeição.
Benditos sejam os que nos maltratam o coração porque, verdadeiramente, são estes, meus filhos, os nossos vigilantes e os que nos ajudam a seguir o Cristo com maior segurança, pois Deus, através deles, nos ajuda na auto educação, de maneira que fiquem abertas todas as portas para o Amor Universal.